Cegueira proposital

João Carlos Bertolucci (*)

 

O fim de ano é sempre regado a festanças, comes e bebes, abraços, lágrimas, perdão… É a época em que todos, ou quase todos, resolvem, direi, “sacudir, sacudir, sacudir”, no intuito de desprender os resquícios dos infortúnios acumulados durante o árduo ano e ter um recomeço livre das “urucubacas”.

E com esse mesmo desprendimento e com o abraço do perdão, 2013 parece findar-se com a generosidade do governo.  A falta de fiscalização em todo o Distrito Federal é o maior presente de fim de ano para os mal feitores, para os que adoram abusar da cegueira oficial.

Entre tantos descasos, a grilagem de terra continua enriquecendo os esquemas das quadrilhas especializadas em invadir áreas públicas, ou não, da mesma forma apetitosa que acontecia nas décadas de 1990 até meados dos anos 2000. Nessa época, se podia de tudo, fatiar lotes destinados a zoobotânica, invadir áreas destinadas às escolas e parques ecológicos para criação de condomínios residenciais e/ou comerciais.

Exemplos disso são os infinitos condomínios irregulares existentes em todo o quadrilátero do pequeno Distrito Federal. Uma senhora dor de cabeça para o governo. A AGEFIS – Agência de Fiscalização do DF, ao que parece, ao invés de desestimular essa prática doentia, que aos poucos mata o conjunto urbanístico da Capital, comunga com o continuísmo. Ou seja: Não faz quase ou absolutamente nada!

Um exemplo nítido desse presente de 2013 a esses “marginais da grilagem” é o que está acontecendo na QE 40, no Guará II, nas áreas lindeiras à linha férrea. Os grileiros tomaram conta do local e fatiam, escancaradamente, a região, criando terrenos individuais com até mil metros quadrados, que são vendidos a preços que chegam a R$ 300.000 (trezentos mil reais). Isso mesmo! Essa “Mega Sena” da “grilagem”, fez o setor virar a cobiça da marginalidade.

E onde está a AGEFIZ? Talvez sentada em um “Tavolo Ritondo”, refastelando-se de boas comilanças e bebelanças, bancados por esses malandros responsáveis por fazer de Brasília um local propicio para a escalada continua da grilagem. E assim, comemorar sempre um “gordo” e pomposo fim de Ano.

Tim tim à cegueira proposital!

(*) Jornalista e estudante de Direito

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