Caso Mari Ferrer: um desabafo

Sou advogado há 22 anos. Sempre fui muito firme em minhas defesas, mas uma das coisas que sempre prezei foi tratar a parte contrária com moderação durante a audiência.

Você pode bater forte, processualmente, mas sem atacar pessoal e cruelmente a dignidade da parte contrária, que, por pior que possa ser (em alguns casos), é um ser humano.

A postura do advogado no caso Mari Ferrer, Cláudio Gastão da Rosa Filho, foi repugnante, nojenta e inadmissível.

Igualmente ultrajante foi a omissão do juiz que deixou as ofensas e maldosas insinuações contra a vítima correrem soltas.

Isto é retrato de um país e de uma sociedade com os quais nunca sonhei, onde o ódio e o desrespeito são não apenas relativizados, mas admitidos e defendidos por alguns incautos.

Acontecimentos como este me fazem reforçar a ideia de que o Brasil é um país que não apenas dá voltas infindáveis em torno do próprio rabo, invertendo valores básicos, mas tem parte de sua população crivada por um incrível atraso moral, espiritual e humanitário, piorado por requintes de alienação e de fanatismo político.

Parafraseando o saudoso poeta gaúcho Mário Quintana, “hoje, estou triste, porque vocês são feios e burros, e não morrem nunca”.

Deixe um comentário