Candomblé ajuda mulher vítima de violência

Pai Lilico de Oxum diz que identifica todo tipo de violência e aciona as autoridades com mais rapidez. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

Acolhida, orientação e apoio. Essas são as etapas pelas quais passam as vítimas de violência que chegam ao Ilê Asé Orisá D’ewy, terreiro de candomblé em Sobradinho II. “Temos que falar de violência em todos os espaços. Respeitar a vivência do outro, conversar, aconselhar e levar a questão às autoridades”, elenca Américo Neves Filho, conhecido como Pai Lilico de Oxum, à frente da casa desde a fundação, em 1975. Aos 65 anos, o pernambucano radicado no Distrito Federal desde os 12 faz parte do grupo de 340 pessoas capacitadas pelo projeto Lidera – Empoderar para Multiplicar, da Polícia Civil do Distrito Federal, lançado em agosto de 2017.

A iniciativa da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) tem como objetivo envolver a sociedade no enfrentamento da violência e aproximar as lideranças do Estado na mediação de conflitos. Acompanhado de outras pessoas recrutadas por meio da Central Organizada de Matriz Africana, entidade da qual é presidente, Pai Lilico integrou a primeira turma do projeto Lidera, que está na oitava edição. “Aprendemos a identificar todos os tipos de violência e a acionar as autoridades com mais rapidez e sempre em parceria”, conta.

Para o religioso, a capacitação é uma forma de reforçar obras sociais das quais a casa já faz parte. O local é palco de rodas de debate entre mulheres, governo e sociedade e do Encontros de Mulheres de Terreiros do Centro-Oeste, evento em que são abordados temas como saúde, políticas públicas e o empoderamento das mulheres negras. No terreno de quase 10 hectares, há abrigo temporário e espaço cultural. Lá, vivem atualmente cerca de 200 pessoas acolhidas ao longo dos anos. “Aqui eu não olho para a religião, eu olho para a fome.”

Capacitação de advogados

Tornar as lideranças instrumentos ativos no combate à violência contra a mulher é o foco principal do projeto, explica a delegada-chefe da Deam, Sandra Gomes. “São pessoas que estão na ponta, próximo às mulheres, de formas que a polícia às vezes não acessa.” De acordo com a policial, os crimes contra as mulheres se diferenciam dos demais por não seguirem uma linha de investigação. “Não é como o roubo, o latrocínio. É uma violência silenciosa”, alerta Sandra. “Queremos que essas pessoas nos ajudem a estar perto dessas mulheres e que saibam o que dizer e como agir na hora certa”, acrescenta.

Além da turma de líderes religiosos, a Polícia Civil formou grupos de servidores da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF), de alunas de medicina e de mulheres empreendedoras, entre outros. Agora, a oitava edição conta com 43 advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil seccional Distrito Federal (OAB-DF). Cada curso é elaborado de acordo com as especificidades da turma. Os grupos são formados sob demanda, e a duração varia de acordo com a necessidade. Oficinas, palestras e debates ocorrem na Deam (204/205 Sul).

De acordo com a policial, os crimes contra as mulheres se diferenciam dos demais por não seguirem uma linha de investigação. “Não é como o roubo, o latrocínio. É uma violência silenciosa”, alerta Sandra. “Queremos que essas pessoas nos ajudem a estar perto dessas mulheres e que saibam o que dizer e como agir na hora certa”, acrescenta. Além da turma de líderes religiosos, a Polícia Civil formou grupos de servidores da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF), de alunas de medicina e de mulheres empreendedoras, entre outros.

Agora, a oitava edição conta com 43 advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil seccional Distrito Federal (OAB-DF). Cada curso é elaborado de acordo com as especificidades da turma. Os grupos são formados sob demanda, e a duração varia de acordo com a necessidade. Oficinas, palestras e debates ocorrem na Deam (204/205 Sul).

 

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