Câmara contesta perícias de presos mortos em delegacias

Érika Kokay: “É muito grave o que o resultado dos laudos”. Foto: Reprodução

 

A morte do motorista Luís Cláudio Rodrigues, de 48 anos, numa cela da delegacia de Sobradinho, em julho do ano passado, levantou suspeitas na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). Diante da justificativa das autoridades policiais de que o trabalhador cometeu suicídio, o colegiado – presidido pelo deputado Paulão (PT-AL), que tem como vice a representante do DF Érika Kokay (PT) – decidiu aprofundar as investigações e apurou outros quatro casos similares ocorridos nas dependências de delegacias de Brasília.

A CDHM contratou o perito independente Jorge Paulete Vanrell, que analisou todos os laudos periciais referentes a mortes ocorridas em delegacias do DF nos últimos cinco anos. Vanrell produziu novos relatórios para cada um dos cinco casos e constatou que apenas um deles não apresenta hipóteses de questionamentos no resultado conclusivo dos trabalhos da perícia realizada pela Polícia Civil de Brasília.

Nos outros quatro – incluindo a morte de Luís Cláudio, há elementos que permitem supor outras possibilidades para a morte das vítimas que não o suicídio. Professor de Medicina Legal na Universidade de Valencia (Espanha), e perito independente do grupo Multidisciplinar para Prevenção da Tortura e da Violência Institucional ligado à Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, Vanrell apresentará os resultados de suas apurações durante uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (7), às 15h, na CDHM, no plenário 9 das comissões da Câmara.

“É muito grave o que o resultado dos laudos do doutor Vanrell traz à tona. Uma série de erros, seja por cumplicidade ou omissão, está silenciando casos de mortes em delegacias sob o manto de eventuais suicídios das vítimas. Vamos levar o caso ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para sugerir investigações isentas e equilibradas do porquê de os laudos oficiais mostrarem causas de morte distintas da realidade”, diz Érika Kokay.

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