Cadê “bandidos de toga” de Eliana Calmon?

As manifestações populares organizadas pelas redes sociais pipocam a cada dia nos mais inusitados lugares. Os meios de comunicação destacam os acontecimentos nas grandes capitais, mas isto não significa que não ocorram protestos em cidades de menor expressão. Uma delas é Nova Russas, no interior do Ceará, que anuncia nova edição de igual movimento realizado no ano passado, em que a comunidade local briga por melhoria na área da segurança.

Não era sem tempo. No município de Nova Russas, tão pouco lembrado pela mídia, a não ser quando de episódios drásticos, como a queda da torre da igreja matriz da cidade, quando a casa da mãe de Jesus foi pro Fantástico, e agora, ao ensejo da movimentação espontânea das pessoas, supra e apartidariamente.

Sem qualquer limitação, aderiram pessoas, de mamando a caducando, a engrossar as fileiras dos descontentes com o sistema de governo, talvez injuriadas com seus governantes, que quando não direta, são indiretamente vinculados a contratos publicados e de gaveta, ensejadores dos descontentamentos e da mobilização popular daqueles que passaram a ser chamados manifestantes.

Não fora por tão nobre motivo, que leva o povo às ruas, em massa, repudiando as injustiças e a corrupção, Nova Russas teria motivos outros que justificariam o levante popular. Aquele município está sendo investigado sobre denúncia da existência de cemitério clandestino em seu território, o que, por si só, justificaria o grito de reclamação por segurança e justiça.

Mas Nova Russas, por pequena que pareça, representa muito bem o nosso Brasil. Está sempre a merecer atenção da imprensa. O prefeito da gestão anterior experimentou cumprir alguns meses de seu mandato no xilindró, em Fortaleza, envolvido em processo de desvio de dinheiro.

É a cidade é rainha do tricô e do crochê, atividade que emprega grande quantidade de marmanjos antes desocupados, e que tem em suas crianças, principalmente do interior, a arte do malabarismo e do equilíbrio, adquiridos nos paus-de-arara que as transportam, diariamente, ida e volta, para a escola.

Nova Russas veio à baila, mas poderia ser uma outra cidade qualquer do interior do país. Todas elas parecem uma só. O povo acordou e não perde a sintonia com o movimento, estando em regime que poderia ser chamado “estado de alerta”.

Nas grandes cidades, como Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Salvador e Brasília, o clima é este. As cobranças têm sido endereçadas diretamente aos poderes Executivo e Legislativo, que (a conta gotas e forçadamente), vêm acenando com a oferta de migalhas nada reparatórias, mas de alguma sorte, “amenizatórias”. Antes pouco, que nada.

E, quanto ao Poder Judiciário, incólume, restarão trazidas ao conhecimento da população os nomes e retratos dos “bandidos de toga”, de que falou a ministra Eliana Calmon? Quem são eles. Cadê ela? Queremos saber. Fica, aí, mais um mote para as reivindicações dos movimentos populares.

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