Cabo Patrício muda o discurso

No início da atual legislatura, o então presidente da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT), patrocinou um acordo pelo qual a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar só voltaria a discutir as acusações contra os deputados Benedito Domingos (PP), Aylton Gomes (PR) e Rôney Nêmer (PMDB) após o julgamento dos casos em segunda instância pela Justiça. Os três são acusados de participar de um esquema de corrupção no governo passado. Hoje corregedor da Casa, Cabo Patrício mudou o discurso.

Trampolim para deputado federal

Candidato a deputado federal em 2014, o Cabo quer fazer do novo cargo cargo trampolim de campanha. Para isso, atuou para que a Mesa Diretora voltasse a analisar os casos dos colegas, mesmo sem nenhum deles ter sido julgado em segunda instância pelo TJDFT. A situação de Benedito é mais complicada: responde a 24 ações criminais por suposto favorecimento a empresas de familiares na contratação de decoração natalina para várias cidades em 2008.

Uma questão de equilíbrio

Depois da decisão da Mesa de encaminhar apenas o caso de Benedito à Corregedoria, o presidente Wasny de Roure (PT), disse que “foi o acordo possível”. Para ele, a opção do colegiado de aguardar a condenação de Aylton e Rôney em segunda instância foi “uma demonstração de equilíbrio dos parlamentares da Mesa”.

Instrumento de vingança

“Não podemos usar o colegiado como instrumento de vingança. Como presidente, procurei agir como magistrado”, argumentou Wasny. Seu voto evitou o empate e o consequente arquivamento dos processos, os deputados Eliana Pedrosa (PSD) e Agaciel Maia (PTC) votarem pela derrubada dos processos e Israel Batista (PEN) pelo encaminhamento dos casos para a Corregedoria. “A Câmara estava sangrando”, diz Wasny. Ele acredita que o desfecho foi aceitável. “Dos males, o menor”.

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