Brincadeira sem graça e de mau gosto

Foto: JP Rodrigues/Metrópoles

Para o empresário Willian Weslei Lelis Vieira, 34 anos, dono de uma factoring (atividade em que se empresta dinheiro a juro, em geral acima das taxas do mercado), a vida de uma pessoa tem pouco valor. Ao se apresentar na terça-feira (18) à 12ª DP (Taguatinga Centro), ele disse ser uma “brincadeira” o crime que cometera três dias antes. Willian arrastou a diarista e vendedora Marina Izidora de Morais, 63 anos, por cerca de 100 metros com sua possante Mercedes Benz Cla AMG branca modelo 2016, avaliada em R$ 220 mil.

Depois de fugir sem prestar socorro à vítima, ele se apresentou acompanhado do advogado Leonaldo Correa Brito, depôs por duas horas e foi liberado. O delegado Paulo Henrique de Almeida ficou em dúvida se o indicia por tentativa de homicídio ou por lesão corporal, uma infração mais branda.

Willian Weslei Lelis Vieira autor do crime.
Foto: Divulgação

Já o titular da circunscricional, Josué Ribeiro, procura provas, como marcas de sangue e de pele no carro, para enquadrá-lo por tentativa de homicídio e lesão corporal com intenção de práticar um crime (roubar as bexigas). Exibindo marcas roxas no rosto, nos braços e nas pernas, e sentindo dores por todo o corpo, a diarista não viu graça na “brincadeira” de Willian. “É uma grande maldade”, desabafou a idosa, ao saber o conteúdo do depoimento de seu algoz, que no dia do ataque estava acompanhado de uma mulher não identificada, de 28 anos.

A versão do casal é semelhante à de Marina. No sábado (15), às 19h45, ela vendia balões do lado de fora da festa junina do colégio Marista, em Taguatinga Sul. Willian e sua acompanhante pararam e perguntaram quanto custavam. R$ 15 cada, respondeu a vendedora. Os clientes ofereceram R$ 25 em três. Ela pediu R$ 30.

Nesse momento recebeu uma ligação no celular. Enquanto atendia o telefone, a dupla resolveu levar a mercadoria sem pagar. A passageira puxou os balões e o motorista arrancou o carro. Mas o cordão dos balões estava amarrado no braço da senhora. Ela foi arrastada por 100m e só se salvou porque a linha arrebentou. Marina considera um milagre estar viva. E Willian segue livre para continuar fazendo suas brincadeiras de mau gosto.

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