Brasília será a capital das bicicletas

Dos 600 Km de ciclovias prometidos pelo Governo do Distrito Federal até 2014, apenas 229 Km estão prontos. Mas o compromisso é cumprir a meta até meados do próximo ano, antes da Copa do Mundo. Se o objetivo do projeto realmente for alcançado, a capital do Brasil será também a capital das bicicletas, superando o Rio de Janeiro. O projeto faz parte do Comitê de Mobilidade por Bicicleta, criado em 2011, para desenvolver iniciativas relacionadas à política de mobilidade.

Para o coordenador do comitê, José Ricardo Fonseca, a ideia é ter uma cidade que incorpore a bicicleta como uma opção de transporte que possibilite ao cidadão se locomover de forma saudável e ecologicamente correta.  “Buscamos diminuir a cultura do carro, para que as cidades sejam mais harmônicas, tenham menos trânsito e mais qualidade de vida”, ressalta.

O presidente do Instituto Brasília de Mobilidade Sustentável, Ronaldo Alves, comemora. “Estamos avançando como nunca nas políticas de mobilidade no DF. Milito nesse tema há 18 anos e, pela primeira vez, vejo algo sendo feito. Com o aumento de emplacamento de carros, em breve será impossível se locomover pela cidade a não ser por meio de transporte público ou formas alternativas”, completa.

 

Mudanças

Os espaços exclusivos para as bicicletas fazem parte da reestruturação do sistema de transporte público do DF. “Vamos incentivar o uso para diminuir o excesso de veículos nas ruas”, afirma o diretor de urbanização da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), Erinaldo Sales.

Há muitos moradores dando chances ao novo meio de transporte. Estimulados a evitar o estresse do trânsito, grupos estão se formando para pedalar pela capital. Em 2012, quatro mulheres do Lago Sul não sonhavam que poderiam integrar um grupo que hoje reúne 79 ciclistas. “Os pedais são agendados mensalmente em Brasília e no Entorno, para estimular os curiosos. É visível o crescimento do número de brasilienses procurando o bem-estar que o ciclismo proporciona”, destaca uma das organizadoras do grupo Brasília Batom Bikers, Maria Regina Teixeira.

Ser ciclista não significa ser atleta. O uso do meio de transporte para atividades cotidianas pode facilitar pequenos deslocamentos de maneira saudável e não poluente. Isso explica o porquê da prática estar se tornando cada vez mais comum nos países desenvolvidos em termos da política de mobilidade urbana.

A bicicleta substituiu definitivamente o carro na casa de Uirá Lourenço, servidor público, atual presidente da Rodas da Paz. Residente em Brasília, Uirá, a esposa Ronieli e os dois filhos, Cauã e Iuri, pedalam juntos. “Temos uma bike de quatro lugares, carinhosamente chamada de ‘trenzinho’. Não gastamos com academia, sempre estamos bem dispostos e quase não ficamos doentes. Ou seja, a bicicleta serve de medicina preventiva e combate a obesidade”.

A legislação também possibilita aos ciclistas o direito de levar o transporte alternativo no Metrô-DF, que reserva o último vagão para este fim. Essa é a estratégia adotada pelo estudante Jonatas Rafael, que precisa se locomover diariamente entre Taguatinga, onde mora, o Lago Sul, onde trabalha, e a Universidade de Brasília (UnB), onde estuda. “Sem a bicicleta seria muito difícil fazer esses trajetos. Demoro 17 minutos para pedalar 10 km entre o Lago e a UnB. Se precisasse ir de ônibus, demoraria uma hora”. O estudante ainda esclarece que no vagão do metrô há boa vontade dos passageiros em abrir espaço, mesmo em horário de pico.

 

Educação, Segurança e Infraestrutura

As principais ciclovias de Brasília estão sendo construídas em vias paralelas. Os trechos sem interligações e a falta de sinalização dificultam o percurso dos ciclistas que não conseguem concluir um percurso sem recorrer a vias dos carros ou calçadas. “Assim como o motorista, o ciclista também precisaria de um caminho contínuo com segurança e conforto. Não adianta espalhar ciclovias pela cidade se elas não te levam a lugar algum”, lembra o estudante José Carlos.

Em contrapartida, no espaço exclusivo, o que mais se vê são pedestres fazendo caminhadas, motociclistas cortando caminho para evitar trânsito e a falta de respeito e paciência dos motoristas. De acordo com o diretor de educação no trânsito do (Detran-DF), Marcelo Granja, existe previsão legal no código de trânsito, que um carro é obrigado a passar pelo ciclista com uma distância mínima de 1,5 m. “Um veículo de grande porte em alta velocidade pode arremessar ou derrubar um ciclista, apenas com o deslocamento de ar que ele causa quando passa. Por conta disso, é necessário um trabalho de conscientização contínuo com os motoristas”, explica.

Uma grande preocupação da população em optar pela bicicleta como meio de transporte e andar pelas ruas do DF é a frequência dos roubos. O ciclista Tiago Tiveron costuma pedalar três vezes por semana, no Lago Sul, Eixão e autódromo. “Precisamos prestar atenção no trajeto. Se há policiamento, iluminação e movimento. A reclamação mais recorrente é o roubo de bicicletas”. A Secretaria de Segurança Pública divulgou, por meio de nota, um estudo em que mostra o crescimento de roubos de bicicletas em todo o DF. No ano passado, foram registradas 567 ocorrências, contra 517 em 2011.

O coordenador do Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicleta, Paulo Alexandre Passos, acredita que a instalação do projeto ainda precisa de melhorias, mas pode se tornar uma realidade no cotidiano do brasiliense. “O que faz as pessoas adotarem um sistema de transporte é que ele seja mais rápido, barato e seguro. Em conta a bicicleta já é, estamos trabalhando para que seja m

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