Brasil, um país de poucos

Alguns, nem todos, podem engrossar as fileiras daqueles que entoam o apelo midiático do governo Federal, na campanha “Brasil, um país de todos”, que faz lembrar aqueloutro reclame, dos tempos Médici/Geisel, dos quais preferiria não recordar, assim como tantas pessoas, mas como esquecer? Nos anos de chumbo é que surgiram campanhas “patrióticas” como “Brasil. Ame-o ou deixe-o”, “este é um país que vai pra frente”  “ninguém segura este país”, dentre tantos outros slogans.

Em tempos atuais, ainda se vêem campanhas obsotelas e que não adiantam assim tanto lado do povo, mas tão-só o dos donos de agências e de grandes aparelhos de comunicação que as veiculam, sem a menor preocupação qualitativa, cujos efeitos, ao invés dos esperados e preconizados, saem exatamente o contrário, como fosse normal alimentar paradoxos por meio desses instrumentos.

De tanto ser martelada, a cabeça do brasileiro assimilou, por um lado, a estória do “país de todos” e é o que parece, mesmo, só que nem todos são iguais, portanto há algum ou alguém que não faz parte do “todos”, sendo, portanto, autoexcluído desse contexto, ou se faz fora da inclusão por imperativos alheios à sua vontade, pois que, a bem da verdade, talvez o que pretendesse  mesmo fosse estar incluído no metiê, se embebedando de inclusão. Mas nem todos, como já dito, têm a mesma sorte (ou azar). E, neste caso, o chamamento ao “país de todos” mais parece um tiro saído pela culatra, com personalidade emergente de além-fronteira. Decerto não teria sido a blogueira cubana Yoani Sanchez atraída pelo chamamento publicitário brasileiro. E possivelmente certo, também, corrida a fama de tratar-se o Brasil, como se trata, de um país de gente ordeira e hospitaleira, que mesmo não viesse a ser recebida com tapetes de flores, nem com outras recepções mais calorosas, também não o fosse com gestos grotescos e defenestratório, qual o sucedido na incursão que fez em Feira de Santana, na Bahia e por demais lugares por onde passou, em que, não se sabe de onde surgiram, não mais que de repente, tantos castristas desvairados.

Atraída pelos convites e movida pela fama que inusitadamente possa lhe ter subido à cabeça, a cubana não se deixou abater pela afronta e violência contra si perpetradas, entendendo o gesto como o exercício pleno da democracia.

Não pegou mesmo bem, para os petistas, a incursão do senador Eduardo Suplicy, talvez o Supla, seu filho, houvesse melhor se desincumbido da função de cicerone da cubana.

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