Bolívia e EUA

Os dias atuais serão lembrados pela realização de duas eleições paradigmáticas envolvendo países muito desproporcionais: Bolívia e EUA. Em 18 de outubro, os bolivianos deram uma vitória esmagadora a Luís Arce, candidato do Movimento Ao Socialismo (MAS), que obteve 55% dos votos, o dobro do candidato da direita, Carlos Mesa (28%). Após o violento golpe civil-militar que derrubou Evo Morales – além de matar dezenas e prender centenas de partidários deste e o exilar na Argentina – a direita boliviana sofreu mais uma fragorosa derrota nas urnas.

Somada às derrotas de Macri, na Argentina, do PRI/PAN, no México, e à quixotesca tentativa de golpe na Venezuela, fica evidente que o projeto neoliberal não tem sustentação popular na América Latina, só se impondo pela força das armas ou, a novidade, a fraude jurídica endossada pela grande mídia (Brasil, Paraguai e Honduras).

Terça-feira (3 de novembro), haverá eleição no país que promove e sustenta golpes, ditaduras e projetos neoliberais mundo afora. Os norte-americanos decidirão se continuam com o governo ultra reacionário de Trump ou retornam às mãos dos Democratas. Tudo leva a crer que Joe Binden vencerá, mas Trump é tinhoso, e anda recorrendo ao jogo sujo, dificultando o voto por correspondência, criando fake news contra o adversário etc.

Entretanto, se no cenário interno Democratas e Republicanos têm divergências, no plano internacional ambos implementam fielmente a política ditada pelo complexo industrial-militar imperialista: Guerra do Vietnam, Baía dos Porcos, intervenções no Iraque e Afeganistão, sustentação de monarquias reacionárias e sanguinárias no Oriente Médio. A lista é interminável.

O orgulho norte-americano sofreu um forte abalo nesta semana, com a divulgação pelo FMI de que, em 2019, o PIB da China (US$ 24,7 trilhões) superou o dos EUA (US$ 22,6 trilhões), pelo critério PPC (Paridade do Poder de Compra). Isto apenas restabelece uma supremacia que havia no início do século XIX, quando a economia chinesa era a maior do mundo, e foi destruída pela força militar do Ocidente (Guerra do Ópio, em 1839).

A arrogância do Ocidente, notadamente a norte-americana, com seus parcos 400 anos de história, despreza os valores de uma civilização com 4.500 anos, cujos conhecimentos e avanços foram apropriados por toda a humanidade.

O mesmo desprezo dispensado aos iranianos, esquecendo-se que a Civilização Persa, herdeira da Elamita, tem mais de 4.700 anos, e que cidades persas, junto com Bagdá, foram, durante o Califado Abássida, os principais centros de produção científica do mundo, enquanto o Ocidente estava mergulhado nas trevas medievais.

Para o bem da humanidade, que vença Biden, o menos arrogante.

(*) Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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