Boêmio e Poeta até na China

Na minha já longa peregrinação, conheci boêmios de todos os tipos:
chatos, chorões, agressivos e até alguns poucos de mansidão
circunstancial duvidosa. Mas esse meu amigo, nascido em Minas e
batizado com o respeitável nome de Newton Egydio Rossi, militava e
amava a noite de um jeito absolutamente diferente de outros notívagos.
Primeiro porque sabia beber disciplinadamente, não permitindo jamais
que a dosagem de álcool lhe transtornasse o juízo. E no rol de tantas
qualidades (incluindo a elegância de um Lorde inglês), era um poeta
luminosamente inspirado, justificando o aforismo de que os poetas são
os arautos de Deus

Além do mais, ao ir embora deste mundinho em 2007 (aos 81 anos de
dádivas aos seus semelhantes), ele deixou um rico curriculum vitae,
muito embora tenha falecido pobre monetariamente. Pioneiro de primeira
hora, amigo e membro atuante da equipe de JK, exerceu com integridade
cargos de realce aqui em Brasília, entre os quais fundador e
presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal, por 24 anos,
de 1970 a 1994.

Mas, sem dúvida, que a passagem de Newton Rossi por este planeta
poluído ficará marcado por sua atuação como poeta. Na função, compôs
centenas de versos sempre exaltando a trilogia Amor, Paz e Hombridade,
sendo esta última uma das principais marcas de seu caráter. Não
obstante a omissão da mídia, sua maior glória em vida foi a
receptividade que obteve na China, país comunista e de mais de um
bilhão de habitantes, com a publicação de um de seus poemas de fundo
espiritual: “Oração dos que não sabem rezar”.  E eis uma das estrofes
desta obra-prima, já vertida para seis idiomas:

“Senhor, que o ódio seja extinto pela paz, / Que haja compreensão e
tolerância, / Que os povos se entendam como irmãos! / Que no coração
da criatura humana, / Pleno de equilíbrio e de harmonia, / Viceje a planta
da fraternidade!…”
Tomara que sua Oração seja ouvida e atendida, meu saudoso poeta. Mas
pelo que se ouve, se vê e se lê nos jornais, a planta da fraternidade há muito que vem murchando, por falta de adubo. Quem sabe que você, aí por perto D’Ele, descubra um jeitinho de estancar o avanço do desamor que rasteja por aqui com a rapidez das ervas daninhas.

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