Beto, o George Floyd brasileiro

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, saiu de casa, na quinta-feira (19), para fazer compras com a mulher no Carrefour do bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre, onde morava. Mas não voltou para casa. Desentendeu-se com uma funcionária do supermercado e acabou brutalmente assassinado, a socos, principalmente na cabeça, por dois seguranças contratados pela multinacional francesa.

A primeira versão é de que agressão ocorreu após Beto, como João Alberto era conhecido, ter ameaçado uma funcionária enquanto passava pelo caixa. No momento do massacre, a mulher dele ainda estava pagando as compras. Os dois criminosos foram presos em flagrante e vão responder por homicídio por asfixia por dolo eventual. Um deles é policial militar temporário e fazia “bico” como segurança fora do horário de serviço.

Vidas negras importam – O crime covarde ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro. Beto, agora, faz parte das estatísticas alarmantes de vítimas de racismo no Brasil. Seu assassinado lembra a morte do norte-americano George Floyd, em Minnesota, na cidade Minneapolis, que causou comoção mundial e manifestações nos Estados Unidos e na Europa com o slogan “vidas negras importam”.

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Assim como os algozes de Floyd, os assassinos de João Alberto são homens brancos.

Assim como os algozes de Floyd, os assassinos de João Alberto são homens brancos. As cenas no Carrefour causam ainda mais revolta por mostrarem uma funcionária com uniforme e crachá do supermercado filmando a agressão, como se fosse normal o que ocorria. Ela já foi identificada e será ouvida como testemunha. Chamada ao local, uma equipe de paramédicos do Samu tentou reanimar Beto, mas ele não resistiu.

O delegado plantonista Leandro Bodoia, da Delegacia de Homicídio e proteção à Pessoa, responsável pelo caso, disse que teria havido um desentendimento entre a vítima e funcionários. Segundo testemunhas, Beto fez “gestos agressivos” enquanto passava as compras pelo caixa. “Nada muito grave”. Porém, os seguranças foram chamados e o levaram para fora da loja.

Segundo Bodoia, imagens de câmeras mostram Beto dando um soco no segurança, momento em que teriam começado as agressões. Além do segurança do Carrefour, um policial militar temporário que estaria no local como cliente também participou do crime. A esposa da vítima viu o ataque quando saia do mercado em direção ao estacionamento. Os suspeitos foram presos em flagrante.

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