Beth Carvalho, a benemérita, partiu

    José Matos
  Neste mundo de tanto egoísmo, não devemos esquecer daqueles que fazem ou fizeram a diferença. A cantora Beth Carvalho, falecida há uma semana, é um exemplo de gente que veio ao mundo para ser feliz e ajudar ao próximo. Ela deu voz e vez a muitos artistas até então desconhecidos e que, graças a ela tornaram-se conhecidos e alcançaram o sucesso. Entre muitos outros, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Almir Guineto, Fundo de Quintal. Beth cantava com alegria, pelo prazer de cantar. O samba estava em suas veias e em sua alma! Mesmo doente e acamada, não parou de cantar. Graças à formação política recebida de seus pais, filiou-se ao PDT de Leonel Brizola e apoiou Luiz Inácio Lula da Silva em todas as suas campanhas presidenciais. Foi uma artista engajada nos movimentos sociais, políticos e culturais brasileiros e de outros povos. Um exemplo foi a conquista de um direito que até então era inédito no mundo: a numeração dos discos. Como diria Falabela, Beth foi para o andar de cima e, agora, junta-se ao contingente enorme de grandes estrelas animando o povo do outro lado. Alguém, alhures, já o disse: “do outro lado, o som dos violões é mais plangente”. Confúcio, o grande filósofo chinês, ensinou 500 anos antes de Cristo: “escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. Este era o segredo de Beth: fazia o que amava. Foi preparada desde cedo por seu pai, um advogado piauiense cassado pela ditadura militar, que a levava para as escolas e rodas de samba. De classe média, educada desde cedo, inclusive, com balé e canto, Beth Carvalho não se esqueceu de compartilhar com os menos favorecidos, herança de sua formação de esquerda do pai como também, de modo semelhante, age Chico Buarque de Holanda. Beth, agora feliz, sem as dores na coluna que a maltratavam, pode juntar-se a outros artistas que, unidos, fazem shows, agora gratuitos, para as almas sofredoras do Além, e pode dizer, como disse Chico Xavier: “sou feliz; fiz todos os meus deveres de casa; vejo mais beleza numa folha do que numa poesia de Shakspeare. Ou ainda, como o imperador romano Júlio César: “vim, vi e venci”.

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