Banco Central norte-americano reduz estímulo à economia

O Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, anunciou hoje (18) que vai reduzir de US$ 85 bilhões mensais para US$ 75 bilhões por mês as compras de títulos públicos que injetam dinheiro na maior economia do planeta. A decisão foi anunciada hoje, após reunião do órgão. A diminuição dos estímulos deve começar em janeiro.

No ano passado, o Fed iniciou um programa de aquisição de títulos da dívida pública norte-americana, num esforço destinado a manter os juros baixos e apoiar a economia do país. Desde o fim de maio, a autoridade monetária dos Estados Unidos tinha indicado que poderia reduzir as ajudas monetárias por causa da recuperação da economia do país.

A possibilidade de redução dos estímulos vinha provocando instabilidade nos mercados financeiros mundiais nos últimos meses. Com a diminuição das injeções monetárias, o volume de dólares em circulação cai, aumentando o preço da moeda em todo o mundo. No Brasil, o dólar comercial fechou em R$ 2,3426 para venda, com alta de 0,86%, mas os efeitos da medida sobre a cotação só devem ser sentidos amanhã (19), porque a decisão foi anunciada logo após o fechamento do mercado de câmbio.

Mais cedo, em encontro de fim de ano com jornalistas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tinha comentado a possibilidade de o Banco Central norte-americano reduzir os estímulos. Para o ministro, a diminuição das injeções monetárias provocará instabilidade no câmbio. Mas ele disse ser desejável que o Fed atue com rapidez para evitar a prolongação de incertezas.

“Haverá uma redução de estímulos que poderá causar volatilidade no câmbio. Não sei de quanto será essa volatilidade, até porque o próprio mercado já repassou boa parte [do impacto da medida] para a taxa de câmbio nos últimos meses, mas a instabilidade será passageira. Gostaria inclusive que tudo fosse anunciado hoje, para não prolongar as incertezas na economia mundial”, declarou o ministro.

De acordo com Mantega, o Brasil está preparado para lidar com uma eventual disparada do dólar nos próximos meses por causa das reservas internacionais em torno de US$ 375 bilhões e das operações de swap do Banco Central, que vende dólares no mercado futuro para conter a pressão sobre o câmbio. O ministro lembrou que a retirada dos estímulos é consequência da recuperação da economia dos Estados Unidos, que trará efeitos positivos para o resto do mundo no médio prazo.

“A economia americana irradia crescimento para o resto do mundo. Para o Brasil, o bom desempenho dos Estados Unidos é importante porque o comércio global crescerá e o país poderá exportar mais em 2014”, destacou Mantega.

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