Atum com radiação do Japão chega aos Estados Unidos


Peixes foram contaminados em águas japonesas e migraram 9.650 Km até a costa daCalifórnia
Baixos níveis de radiação nuclear oriunda da usina atômica de Fukushima, no Japão, foram detectados em atuns na costa da Califórnia, num sinal de que esses peixes transportaram isótopos pelo Pacífico mais rapidamente do que o vento ou o mar, disseram cientistas americanos.

Pequenas quantidades de césio-137 e césio-134 foram detectadas em 15 atuns apanhados perto de San Diego, em agosto de 2011, cerca de quatro meses depois do terremoto e do tsunami que danificaram a usina japonesa, causando o vazamento radiativo. Os peixes percorreram 9.650 quilômetros pelo oceano Pacífico.

“Ficamos realmente surpresos”, disse Nicholas Fisher, um dos pesquisadores que participaram do estudo que relata a migração do atum do Pacífico no periódico científico “Proceedings of the National Academy of
Sciences”.

Os níveis de césio radioativo eram dez vezes mais altos que a quantidade encontrada em atuns na costa da Califórnia, anos atrás. Mesmo assim, não é nocivo. O nível está ainda abaixo do limite de segurança para o
consumo humano indicado pelo governo do Japão.

“Eu não diria a ninguém o que é seguro comer e o que não é”, disse Daniel Madigan, da Estação Marinha Hopkins da Universidade Stanford, coordenador doestudo, para quem o impacto pode ser mais psicológico do que real.

Um dos maiores e mais rápidos peixes dos mares, o atum do Pacífico (Thunnus orientalis,) pode atingir até três metros de comprimento e pesar mais de 450 quilos. Elesdesovam na costa leste do Japão e nadam em alta velocidade para a costa da Califórnia e do
México.

De acordo com os cientistas, o atum absorveu césio radioativo ao nadar em águas contaminadas e se alimentar de animais, como krill e lula, que também estavam contaminados. Como os peixes predadoresmigraram para o leste, foram perdendo radiação por conta do metabolismo e também porque cresceram de tamanho. Mesmo assim, alguma radiação permaneceu
no corpo dos animais. “Atravessar este oceano e ainda manter estes radionuclídeos é algo incrível”, disse Fisher.

O césio-137 já estava presente no leste do Pacífico antes do acidente de Fukushima, mas o 134 só surge por atividades humanas, e não existia no mar antes doacidente. Por isso, só pode ter vindo de Fukushima.

Por João Carlos Bertolucci

Da Redação/Navegar

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