Atraso em obra na rodoviária atrapalha a vida de 700 mil brasilienses

Josiele Francelino, de 35 anos, sai de casa, na Estrutural, segurando a caçula com uma mão e empurrando a cadeira de rodas da mais velha com a outra. A menina tem paralisia cerebral e faz fisioterapia duas vezes por semana no Hospital de Base. Quando não há contratempos, a viagem dura em torno de uma hora e meia. Mas a etapa mais complicada nos últimos meses tem sido o desembarque na Rodoviária do Plano Piloto.

O terminal está em reforma desde agosto de 2014. A obra deveria ter sido entregue em agosto do ano passado. Mas a empresa contratada – a Técnica Construção Comércio e Indústria – abandonou a empreitada no meio do caminho. O valor da licitação foi de R$ 26,5 milhões. Agora, o governo trabalha para rescindir o contrato com a Técnica e passar o bastão para a segunda colocada na concorrência.

A interrupção da obra complica ainda mais a dura rotina da família de Josiele e de outros 700 mil usuários de ônibus que passam diariamente pela Rodoviária Sem local para os ônibus estacionarem, a mãe tem que contar com a sorte para obter a ajuda de uma “alma boa” na hora do desembarque. Afinal, não é fácil descer de um ônibus com duas crianças e uma cadeira de rodas.

“Sempre desço na plataforma que está passando por reformas. Ali nunca tem uma baia disponível para o meu ônibus parar. Às vezes conto com uma boa alma que me ajuda a descer com minhas duas filhas, mas nem sempre isso acontece. Tenho que contar constantemente com a sorte. Duas vezes por semana tenho que me sujeitar a essa situação”, lamenta.

“Nunca tem uma baia disponível. Às vezes conto com uma boa alma que me ajuda a descer com minhas duas filhas. Nem sempre isso acontece. Conto com a sorte” Josiele Francelino. Foto: Maria Gabbriela Veras

Atrasada – A plataforma a que Josiele se refere é a ‘E’. Lá, metade dos boxes está interditada pelas reformas que começaram em agosto de 2014 e agora não têm data para terminar. Os ônibus precisam parar no pátio para o desembarque dos passageiros. Esse procedimento é prejudicado, já que os ônibus se acumulam em fila para esperar a liberação de uma baia.

Márcia Barros é cobradora há 24 anos e acha um descaso a demora na conclusão da reforma. “Tem hora que a situação fica terrível, porque não temos como colocar o carro no Box para 6 pessoas com deficiência física descerem”, relata.

O motorista Isaías Pereira conta que diversas vezes essa situação causou atrasos em suas viagens. “Eu já fiquei muitas vezes rodando dentro da Rodoviária para esperar outro ônibus sair da baia. Eu não posso desembarcar pessoas que precisam de algum auxílio no meio da pista”, justifica.

A aposentada Regina Machado, 73 anos, precisa ir frequentemente à Rodoviária para utilizar os serviços do Na Hora. Com dificuldades de locomoção, ela reclama dos transtornos causados pela obra. . “Nas baias o chão fica mais perto do piso do ônibus e isso nos auxilia bastante. Quando não tem onde os ônibus pararem, sinto muita dificuldade para descer dos veículos”, explica.

Abandono – Encarregada de planejar os reparos na Rodoviária, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) admite que a obra foi abandonada pela construtora. Agora, com o contrato no status de rescisão unilateral, o futuro da plataforma ‘E’ é incerto.

A Novacap e o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) – também responsável pela contratação da empresa – selecionaram, por meio de licitação, a Técnica Construção Comércio e Indústria. Quando notificada pelo atraso nas obras, a empreiteira “recolheu os funcionários e abandonou a obra”. O Brasília Capital procurou a Técnica, mas, até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta.

Solução – A Novacap espera rescindir o contrato unilateralmente – quando a administração pública, por motivo de ilegalidade, inadimplência contratual por parte do contratado ou, em razão de interesse público, decide por fim ao contrato. A Companhia ainda estuda a viabilidade jurídica para contratar a segunda colocada na licitação.

“O prazo de conclusão da obra fica atrelado ao processo de cancelamento do contrato e contratação da empresa segunda colocada”, informou a assessoria da Novacap. Após essa fase ser concluída, a empresa terá um ano para concluir as reformas na Rodoviária.

Transtornos atingem passageiros e motoristas. Foto: Antonio Sabino

Melhorias – Pelo edital, a contratada deveria ter feito o reparo do piso, construído novas instalações elétricas, eletrônicas, instalado um sistema contra incêndio, além da substituir as esquadrias em alumínio e vidros das galerias. Estão previstas, ainda, a reforma completa das áreas administrativas e de equipamentos e sinalizações para acessibilidade, a recuperação do asfalto e a melhoria do estacionamento do pavimento superior. . A passagem pelo terminal é mais sofrida do que deveria ser.

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