As lições das eleições no Chile para o Brasil e seus candidatos

Sebastián Piñera foi o vencedor, com 54,57% dos votos válidos

Santiago – Enquanto a mídia nacional abordava à exaustão em jornais, rádios e TVs as eleições e as projeções para os diversos cenários da disputa, os chilenos pareciam ignorar o processo eleitoral. Não havia uma única publicidade eleitoral nas ruas e muros pelos quais passei.

Desde 2012 o voto no Chile é facultativo. De lá para cá, a abstenção nas eleições cresce. Sebastián Piñera foi o grande vencedor, com 54,57% dos votos válidos, contra 45,43% de Alejandro Guillier.

Os números parecem apontar uma guinada à direita dos eleitores latino-americanos, que começou em 2015 com a vitória de Mauricio Macri, na Argentina, revelando que nossos países vizinhos estão saturados dos governos de esquerda, supostamente atolados em esquemas de corrupção.

Seria tudo muito simples de se explicar não fosse o fato de mais da metade dos eleitores chilenos não terem ido votar no último domingo. Piñera teve o apoio de menos de um quarto dos eleitores, o que representa um sério problema de representatividade e legitimidade.

A retumbante negação do atual modelo político em um dos países mais escolarizados e culturalmente avançados da América Latina é, sem dúvida, a principal lição que o Chile dá ao Brasil e a seus políticos, onde, apesar de o voto ser obrigatório, a multa por abstenção injustificada tem valor irrisório e não a inibe.

Se de um lado se observa um avanço da direita e sua agenda econômica liberal pela América Latina, de outro se constata o estabelecimento inegável do movimento de negação do modelo político estabelecido até aqui, inclusive no Brasil.

O sinal amarelo das eleições 2018 está ligado para os políticos brasileiros. Se houver, como no Chile, uma grande abstenção nas urnas, algum dos lados majoritários do tabuleiro, para a presidência e para os governos estaduais, poderão ter sua vitória facilitada, mas chegarão ao poder sem força social e sem legitimidade nacional e local.

Já para os candidatos proporcionais, deputados que dependem de votos de parte da população, o risco será imenso: será que justamente os seus eleitores, do grupo com o qual trabalham há anos, décadas, deixarão de ir votar e de elegê-los?

A estratégia profissional em marketing, comunicação e gestão de mobilização, sobretudo para que se efetive o voto real, será sem dúvida um dos ativos mais valiosos para as eleições brasileiras do próximo ano. Sai na frente quem se profissionalizar primeiro.

        A primeira de uma série de coberturas das eleições presidenciais pela América Latina, do projeto “Tour Eleições das Américas”, da consultoria Viés Marketing Estratégico em parceria com o Brasília Capital, aconteceu no domingo (17), na capital do Chile, a moderna, aprazível e assustadoramente limpa cidade de Santiago, que viveu o segundo turno das eleições presidenciais entre o ex-presidente Sebastián Piñera, de centro-direita e conservador, e o atual senador e jornalista Alejandro Guillier, de centro-esquerda, progressista e de agenda moral liberal.

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