Arte e Arquitetura

A experiência da arquitetura esteve, desde sempre, associada ao movimento do utilizador enquanto ‘viaja’ através do edifício. A experiência da arte, na pintura ou na escultura, pelo menos até ao século XX, aproximava-se a uma contemplação menos dinâmica e mais estável do seu observador.

Atualmente, a experiência contemporânea na observação do objeto artístico associa ‘observar’ e ‘movimento’ como duas condições inseparáveis para a sua apreensão.

A partir da década de 1960, questionar o espaço se intensificou, introduzindo o conceito de ‘objeto-instalação’, situado muito para além da escultura, mas também aquém da espacialidade e da funcionalidade arquitetônica. 

Observa-se que a arte é pensada não como um objeto isolado, mas como um elemento inserido no espaço. Pode-se, então, dizer que a arte contemporânea questiona a definição de lugar escultórico e a sua especificidade.

Um exemplo disso é o artista americano Donald Judd. Ele conceitua um manifesto à arte minimalista, onde o conceito que mais se destaca são as obras a que Judd chama de ‘trabalhos tridimensionais’. Judd, aoescrever esse texto, ainda considera as obras tridimensionais muito aquém das suas possibilidades.

Sobre as obras tridimensionais, refere-se, na realidade, a ‘objetos específicos’ que representam espaço real, uma vez que são obras que se encontram livres das restrições da pintura, normalmente condicionada à forma retangular da tela presa a uma parede. 

Elas podem adquirir qualquer forma oudimensão, e estabelecer inúmeras relações com o espaço, quer seja interior ou exterior. E foi o que ele fez.

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