Apologia a bandidos e, ou, ignorantes

Poucas vezes se viu no Brasil um clima político de tamanha radicalização e beligerância ideológica, o qual, após 13 anos de império esquerdista, é sede, agora, de uma forte reação da direita, alimentada, nas eleições do ano passado, pela crise econômica que agigantou-se no período Dilma e pelos escândalos de corrupção envolvendo partidos da então “base aliada”.

O fato é que, naquele momento, milhões de brasileiros sentiram-se órfãos ao depararem-se com um candidato da combalida esquerda e com um pouquíssimo previsível líder direitista. Muitos, assim, para evitar o voto nulo, buscaram detalhes para definir seu “voto útil”, como a pauta moral, da segurança, da economia e até da religião.

Passados oito meses do Governo Bolsonaro, já é possível que todos tenham mais clareza do que esperar do Presidente, o qual, continua, após as eleições, mantendo-se quase como um personagem de ficção, que, a despeito de ter montado uma equipe econômica de peso, continua imerso em um discurso da finada “Guerra Fria” e não se cansa de produzir colocações inconvenientes e chulas com uma velocidade e uma reincidência nunca antes vista.

Como cidadão, humanista e advogado, sempre defendi uma política de resultados, pois, se a estrada está esburacada, não me importa se quem consertou, de modo eficiente, pertence a uma ou outra vertente ideológica. Se há mães e pais desempregados, não me interessa quem lhes dá emprego. Se a saúde melhora, também é positivo para todos, independentemente de quem foi o gestor público responsável por recuperá-la.

A política de resultados e o bem coletivo devem sempre preponderar, desde que, obviamente, não haja a podre semente da corrupção disfarçada sob o manto de boas ações governamentais.

 Todavia, da mesma forma, que muito se falou, em um passado recente, em um expressivo grupo de pessoas que tinham “bandidos de estimação”, percebe-se agora outra parcela de pessoas, aparentemente antagônicas àquelas, mas que, ao invés de serem pontuais e lúcidas em críticas ou elogios, detêm-se a justificar e a idolatrar todo tipo de ignorância proferida por quem se esperava que tivesse uma postura de estadista.

Obviamente, foi odiosa (e não pode voltar a se repetir) a corrupção desenfreada e institucionalizada dos anos em que PT e PMDB comandaram a Nação, mas também, apesar de muito torcer pelo sucesso do atual Governo Federal – pois o Brasil precisa voltar a ser próspero – nada justifica o endeusamento e a apologia leviana de qualquer político, seja ele, ou ela, de esquerda ou de direita.

Precisamos, a despeito da particular visão de mundo de cada um, exercer a nossa cidadania e o nosso poder crítico de forma inteligente, pois não há, hoje, no contexto nacional, nenhum político que mereça idolatria irrestrita.
Se, por um lado, não devemos torcer para o barco afundar, pois somos passageiros dele, é fundamental cobrarmos, de nossos mandatários, não apenas firmeza e honestidade, mas também bom senso, respeito para com seus interlocutores e pragmatismo nas ações visando ao resgate de nosso País e de nossa Sociedade.

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