Angústia e ansiedade

Foto: Isac Nóbrega/PR

Enquanto países como Chile, Reino Unido e Estados Unidos já iniciaram a imunização contra a covid-19, só na quarta-feira (16) o governo brasileiro anunciou o seu plano nacional de vacinação. Para chegar ao estágio inicial de planejamento da vacinação, que é o plano, foram necessários pelo menos três pedidos de esclarecimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda assim, o Ministério da Saúde não estipulou datas para o início da aplicação dos imunizantes. A pasta alega que aguarda a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar uma ou mais vacinas para que o plano entre em vigor. Até o momento, nenhum pedido de registro foi feito à Anvisa.

A expectativa é que o Instituto Butantan peça a validação da Coronavac ainda neste ano – já que o governo do estado de São Paulo pretende começar a vacinação em 25 de janeiro. Segundo o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, a vacinação deve ser concluída em 16 meses.

Até o momento, o novo coronavírus já causou mais de 182 mil mortes no Brasil e contaminou 7 milhões de pessoas. Apesar da pressa de todo o mundo para que a pandemia acabe, o governo federal segue a passos lentos, em comparação com nações que possuem a mesma realidade do Brasil.

Durante o lançamento do plano, em cerimônia com a presença do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Saúde ainda questionou as expectativas da população em relação à vacinação. “Para que essa ansiedade, essa angústia?”. Por que será?

Vacinas – Há uma série de vacinas candidatas na fase final dos testes, mas o governo não especificou qual delas será usada, por ainda não ter fechado um contrato final com nenhuma farmacêutica. Entre as negociações estão a de Oxford/AstraZeneca, com produção no Brasil pela Fiocruz, a Pfizer/BioNTech, a Janssen, o Instituto Butantan/Sinovac, a Bharat Biotech, a Moderna, a russa Gamaleya e a Moderna. Ao todo, serão compradas cerca de 350 milhões de doses.

Grupos prioritários

O Plano prevê quatro grupos de pessoas a serem prioritariamente vacinadas. Somados, estes grupos reúnem cerca de 50 milhões de indivíduos, o que demandará 108,3 milhões de doses, já incluindo 5% de perdas e duas doses para cada pessoa em um intervalo de 14 dias.

O primeiro grupo a ser vacinado na Fase 1 é formado por trabalhadores da Saúde (5,88 milhões); pessoas de 80 anos ou mais (4,26 milhões); pessoas de 75 a 79 anos (3,48 milhões); e indígenas com idade acima de 18 anos (410 mil). A Fase 2 é formada por pessoas de 70 a 74 anos (5,17 milhões); de 65 a 69 anos (7,08 milhões); e de 60 a 64 anos (9,09 milhões).

Na Fase 3, a previsão é vacinar 12,66 milhões de pessoas acima dos 18 anos que tenham as seguintes comorbidades: hipertensão de difícil controle, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer e obesidade grave (IMC maior ou igual a 40).

Na Fase 4, deverão ser vacinados professores do nível básico ao superior (2,34 milhões), forças de segurança e salvamento (850 mil) e funcionários do sistema prisional (144 mil).

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