Adolescentro oferece terapia a jovens viciados em internet e eletrônicos

A cada mês, aproximadamente 1,5 mil jovens que chegam ao Adolescentro (605 Sul) em busca de atendimento apresentam dependência em internet e eletrônicos – computador, celular e videogames, segundo relato dos pais.

Essa condição — que é considerada doença e precisa ser tratada — provoca prejuízos na escola, nas relações familiares e na saúde, já que até a alimentação é deixada de lado.

Mantido pelo governo de Brasília, o Adolescentro é o Centro de Referência, Pesquisa, Capacitação e Atenção ao Adolescente em Família. O programa, administrado pela Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, tem foco em saúde mental, dificuldade de aprendizagem e violência sexual.

Um dos pacientes, de 17 anos, chega a passar mais de 13 horas por dia em frente à tela. “Acordo, lavo o rosto e vou para o computador. Só consigo sair depois da meia-noite”, relata o jovem.

O rapaz deixou de lado a vida real para se concentrar no mundo virtual criado na plataforma do jogo League of Legends e assistir aos famosos animes (animações) produzidos no Japão.

“É um garoto inteligente, acima da média, mas os prejuízos estão atropelando essa vantagem”, constata a assistente social que o acompanha, Ana Miriam Garcia. “Por diversas vezes, tentei me livrar desse vício. De vez em quando desinstalo o jogo, mas é difícil”, reconhece o adolescente.

A assistente social relata que, na maioria dos casos, o controle familiar é muito importante para mudar a situação, que pode levar meses ou anos para ser revertida.

Segundo ela, é preciso haver uma rotina imposta pela família, que deve ser cumprida. “No caso, o rapaz usa estratégias para manipular, de forma que as coisas saiam do jeito dele”, avalia.

A médica psiquiatra da unidade, Marinês Teixeira, destaca que os pais devem ser alertados. A dependência pode ser notada quando o jovem começa a prejudicar atividades cotidianas, como as escolares, e coloca as relações com a família e amigos em segundo plano.

Ela relata que, nos últimos três anos, aparecem casos diariamente. “Nos mais graves, adolescentes passam em média dez horas ininterruptas no celular ou computador. Nos menos graves, esse tempo chega a quatro ou cinco horas, o que já é muito.”

Segundo a médica, é comum que adolescentes passem a madrugada toda nas redes sociais, nos jogos, nos filmes ou navegando na internet. A depender do caso, eles precisam ser medicados para regularizar o sono noturno.

A psiquiatra avalia que o problema é muito grave. “Se ele estuda pela manhã, não acorda para ir à escola. Se estuda à tarde, acorda ao meio-dia, almoça e volta para o celular. A falta de sono é porque o cérebro é estimulado a cada segundo”, alerta.

A doença também faz com que os garotos emagreçam por não se alimentarem adequadamente. Eles também se tornam agressivos e desafiam os pais. “A família tem que estar ciente dos riscos à saúde. O tratamento pode levar anos. A recuperação não é imediata”, finaliza Marinês.

Para ter acesso ao tratamento, os jovens podem ser encaminhados pelas unidades de saúde ou buscar o atendimento espontaneamente. No local, o tratamento é oferecido para as faixas etárias de 10 a 18 anos.

O acompanhamento é multidisciplinar com assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras e odontologistas, entre outros profissionais.

Com informações da Agência Brasília

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