Ação protetiva para a mulher tem que ser imediata

Mulher não é propriedade de homem e homem não é dono de mulher. Mas nem todos pensam assim. Homens ciumentos, prepotentes, educados na herança do machismo, estão por aí aos montes, espalhando a barbárie. Nos últimos meses, o DF agravou suas já altas estatísticas de feminicídio.

Esta semana, mais um brutal assassinato de mulher nos entristeceu e envergonhou. O mais grave deste último assassinato – de uma senhora, Maria Regina Araújo, morta com 20 facadas diante da filha de oito anos – é que ela havia pedido ao delegado ação protetiva, há dez dias. Mas a proteção não lhe foi concedida.Por que não? porque a juíza Eugenia Christina Bergamo Albernaz, que analisou o caso, negou a concessão da ação protetiva, alegando que Maria Regina Araújo não corria risco de vida.

Fico imaginando como deverá estar a consciência dessa juíza neste momento. Como deve estar se sentindo, sendo uma mulher que não teve a capacidade de proteger outra mulher. Se ela tivesse acatado a ação do delegado e dado a garantia necessária àquela senhora, certamente agora ela estaria viva.Com certeza, também, a juíza teria evitado a uma menina de oito anos – que entrou em estado de choque ao ver a mãe ser esfaqueada repetidamente – o trauma que dificilmente a abandonará pelo resto da vida.

O feminicídio cresceu absurdamente no Distrito Federal. Trata-se de uma verdadeira matança de mulheres, mães de família e trabalhadoras dentro de suas casas ou próximo a ela.Não podemos permitir que mulheres indefesas fiquem desprotegidas quando pedem ajuda à Justiça e continuem a ser assassinadas por monstros.

Espero que as autoridades reflitam a respeito. Não dá mais para aceitarmos calados que mulheres sejam vítimas de covardes sanguinários, quando poderíamos evitar o fato. Está na hora de mudar a Legislação. Quem sabe, autorizando o próprio delegado, ao sentir risco iminente para a mulher, poder ele mesmo autorizar a ação protetiva?

 

(*) Líder do PT na Câmara Legislativa

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