A vacinação iniciou, mas a pandemia não acabou

O Plano de Vacinação contra a covid-19 da Secretaria de Saúde do Distrito Federal previa a vacinação de 189.514 pessoas na primeira fase, entre profissionais de saúde, pessoas com mais de 75 anos e acima de 60 que vivem em instituições, entre outros. Seriam necessárias 379.028 doses só para esse grupo. No entanto, chegaram ao DF pouco mais de 106 mil doses, que permitem a vacinação de apenas 53 mil indivíduos.

Encolheu o público a ser imunizado neste início da primeira fase. Frente ao universo de mais de 4 milhões de pessoas que compõem a população do DF e da Região Metropolitana, que trabalham aqui e usam serviços e comércio da capital, o número é pouco significativo do ponto de vista epidemiológico.

No DF e no Brasil inteiro, as listas com os nomes das pessoas ligadas aos serviços de saúde indicadas para receber essas primeiras doses da vacina se tornaram alvo de ansiedade e até de cobiça. E começaram as denúncias contra os “fura-fila” e a ostentação em perfis nas redes sociais.

Naturalmente, as autoridades se viram na obrigação de intervir. É imprescindível controle estrito e transparência no direcionamento das poucas doses de vacina disponíveis. A impessoalidade é um dos princípios básicos da Administração Pública.

Mas há notícias que aumentam nossa esperança no sucesso do enfrentamento à covid-19. Em audiência pública virtual promovida pela Câmara Legislativa, o diretor da Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, apresentou a estrutura da instituição e as perspectivas de produção da vacina Oxford/AstraZeneca no Brasil. Destaque: a Bio-Manguinhos é uma instituição pública.

Segundo Zuma, a instituição está pronta para entregar ao SUS 100,4 milhões de doses da vacina ainda no primeiro semestre, desde que cheguem aqui os insumos em prazo hábil. Ele também garantiu que, com as adequações das instalações e após os processos de certificação e validação devidos, provavelmente em agosto, a Bio-Manguinhos vai nacionalizar também a produção de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), base para a produção de vacinas contra o novo coronavírus.

Com isso, no segundo semestre será possível entregar outras 110 milhões de doses, que se somarão à produção da CoronaVac, do Butantan, e às vacinas que forem importadas tanto pelo governo quanto por laboratórios privados, quando a comercialização for liberada.

É importante ter em vista que a vacinação tem reflexos além dos âmbitos humanitário e de saúde. Em entrevista ao Correio Braziliense, o secretário de Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo, Henrique Meirelles, enfatizou que a retomada do crescimento econômico só vai ocorrer após a vacinação em massa da população. Com vacina, teremos mais empregos e renda.

Até essas expectativas se consolidarem, é indispensável continuarmos a usar máscaras, higienizar constantemente as mãos, observar o distanciamento social e evitar aglomerações. E mesmo depois da vacina, até que as autoridades sanitárias informem ao público que é seguro abrir mão desses hábitos que incorporamos ao nosso dia a dia durante a pandemia.

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