A poesia é necessária

Creiam, meus queridos leitores, que não se trata de mero jogo de palavras, mas a Poesia é necessária –, mesmo! Isto em todos os momentos de nossa curta ou longa passagem por este opaco planetinha que, com certeza, jamais se tornará uma estrela com luz própria. Lamento  que o espaço neste cantinho de página seja muito limitado para discorrer sobre um tema tão atraente. Para início de conversa, todos nós sabemos que a Poesia existe desde os tempos que o bicho-homem habitava as cavernas, rotulados então como trogloditas e que “escreviam” versos grafando hieróglifos nas rochas.

Alguém já disse que os poetas são os arautos de Deus. Como já afirmei anteriormente, minha Fé no momento se encontra periclitante, por testemunhar tanta bandalheira institucionalizada. Dou um exemplo: os ilegais 14º e 15º salários dos senadores e deputados (que somam cerca de 60 mil reais), total oito vezes mais do que um trabalhador ganhará em um ano (12 meses) de suor e lágrimas. E ainda temos de pagar a conta desses senhores, incluindo moradias, planos de saúde, passagens aéreas e outras mordomias.

Desabafo à parte, por falar em poetas, respeitosamente não concordo com alguns  literatos quando afirmam que o francês Arthur Rimbaud foi o “maior poeta que o mundo já leu”. Francamente, acho difícil apontar este ou aquele como o maior entre os melhores. Aliás, sobre essa competição de “arautos celestiais”, o Brasil não fica nada a dever a outros países. Temos de sobra em quantidade e qualidade. De passagem, poderia mencionar cinquenta, porém cito apenas três: Gonçalves Dias, Castro Alves e Mário Quintana. Amo a todos, mas o meu preferido é Castro Alves.

Apesar de ter falecido prematuramente, aos 24 anos, ele deixou uma vasta obra de poemas épicos, a maioria em defesa dos desamparados. Pouco antes de morrer, publicou Navio Negreiro, verdadeiro libelo contra a escravatura. E também teve a sua Fé abalada pelo que testemunhou à época, resumindo seu brado de revolta na estrofe inicial de Vozes da África:

“Deus! Ó Deus, onde estás que não respondes? / Em que mundo, em qual estrela tu te escondes? / Embuçado nos céus? / Há dois mil anos te mandei meu grito / Que em vão desde então corre o Infinito. / Onde estás, Senhor Deus?”.

Deixe um comentário