A lição de JK

Lamentavelmente, estão se agigantando, em nosso País, as mais nefastas práticas de intolerância ideológica, que envolvem bravatas irresponsáveis de algumas lideranças, incitando a violência ou justificando-a, além da propagação de notícias falsas, vias de fato entre militantes, tiros e até ameaças a magistrados responsáveis por julgamento de processos envolvendo famosos políticos.

O fato, todavia, é que a violência não se justifica e não pode se justificar contra quem quer que seja, pois isso fere os mais básicos princípios civilizatórios e destoa largamente de comportamentos aceitáveis dentro de uma democracia, que o povo lutou tanto para reconquistar, com ênfase na década 80, por meio de amplo movimento por eleições diretas, o qual culminou na Constituição Federal de 1988 e nas históricas Eleições Presidenciais de 1989.

Tenho amigos de direita e de esquerda, muitos de cultura e intelecto avançados e costumo, sempre que a abordagem é racional e saudável, ouvi-los com máxima atenção e discernimento, salvo se a conversa descambar para o radicalismo, dissociando-se do espírito democrático e republicano, pois o momento é de construir pontes e de achar soluções para o Brasil, que se encontra mergulhado na mais séria crise moral da história de seus Poderes Executivo e Legislativo, com o povo sendo explorado, esquecido e usado por tantos políticos inescrupulosos.

Em entrevista concedida ao Jornal O POVO, em 25 de outubro de 1963, o sapiente Juscelino Kubitschek afirmou: “É necessário que o povo esqueça essas ideais de direita e esquerda para que se possa criar um clima de paz e confiança imprescindível ao trabalho, ao desenvolvimento econômico e, ainda, à consolidação do regime democrático.”

Passados 55 anos, nenhuma lição pode ser mais atual que a deixada pelo Fundador da Nova Capital. O debate ideológico é salutar, desde que envolva respeito incondicional entre os cidadãos e, em um momento de tantas dificuldades na Nação, a busca de ideias progressistas ede soluções efetivas para o caos moral vigente, sob a dialética da complementariedade que defendeu, com veemência, o saudoso jurista Miguel Reale.

 

(*) Advogado e Escritor.

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