A conquista da América

Houve uma época em que os uruguaios e, principalmente, os argentinos, eram os grandes papões da Copa Libertadores da América. Enfrentar o temido Boca Juniors no alçapão de La Bombonera era derrota quase certa, muito embora, há dez anos, o pequeno Paysandu de Belém tenha proporcionado uma das maiores surpresas da história do torneio, ao vencer em plena Buenos Aires por 1 a 0. Mas o maior campeão da América não é o Boca ou o Peñarol, e sim o decadente Independiente de Avellaneda, com sete conquistas.

A Libertadores começou a ser disputada em 1960. Em 62/63, o grande Santos de Pelé conquistou o bicampeonato, mas demorou quase duas décadas para o futebol brasileiro conquistar a América novamente, com o Flamengo, em 1981.

Para comprovar a dificuldade dos brasileiros no torneio, o fantástico time de Zico, Adílio, Júnior e Leandro passou sufoco para superar o limitado Cobreloa, do Chile – e somente num jogo extra – embora,  na sequência, tenha atropelado o poderoso Liverpool, da Inglaterra, por 3×0, arrebatando o mundial de clubes com extrema facilidade.

Mas os tempos são outros, e ultimamente o Brasil tem dominado a competição, tanto que, nos últimos três anos, Internacional, Santos e Corínthians levaram a taça. Nos seis jogos das finais, foram quatro vitórias brasileiras e dois empates.

Mas essa superioridade não decorre do outrora tão falado talento brasileiro – que ultimamente anda em baixa – mas sim pelo poderio econômico, o que está mais relacionado à situação do país do que propriamente dos nossos clubes, muito embora alguns tenham evoluído bastante em termos de gestão. Atualmente, apenas os mexicanos – convidados do torneio continental – têm uma estrutura que possa ser comparável à nossa.

Em relação ao Mundial de Clubes, no entanto, o México não é uma ameaça. Caso uma equipe daquele país conquiste a Libertadores, quem vai à disputa do intercontinental é o vice, pois os mexicanos já disputam uma vaga no torneio com seus pares da Concacaf – equipes das Américas Central e do Norte.

Dentre os brasileiros na disputa em 2013, somente o Palmeiras – que amargou a queda para a série B do brasileirão e convive com sérios problemas internos, inclusive financeiros – pode ser considerado um azarão na briga pelo título. As outras cinco equipes têm reais possibilidades de chegar lá.

Corínthians (SP) – campeão mundial –, Fluminense (RJ) – campeão nacional – e São Paulo (SP) – brasileiro com mais títulos, juntamente com o Santos, ambos com três conquistas – têm boas chances, mas quem vem jogando o melhor futebol nesse início de competição é o Atlético (MG), de Ronaldinho, e o Grêmio (RS), de Barcos.

Mas Libertadores é Libertadores. O tricolor gaúcho parecia que iria ter vida fácil, pelo menos na primeira fase, mas já andou tropeçando nos pequenos Huachipato e Caracas.

A competição deste ano é um verdadeiro festival de veteranos, nomes que brilharam na Europa e retornaram ao seu país de origem. Com exceção de Alexandre Pato, repatriado pelo Corínthians, a maioria já está próxima do fim de carreira, casos de Dida, Zé Roberto, Deco, Lúcio, Ronaldinho e mesmo do argentino Román Riquelme, astro do Boca. De qualquer forma, por ondem passam, esses medalhões ainda são grandes chamativos para o público.

A briga promete. E mais uma vez deve dar Brasil!

Deixe um comentário