A capital das Rachaduras

Brasília vem se transformando num cenário apropriado para filmes de aventura catastrófica. Tipo A Falha de San Andrés, que mostra a Califórnia rachando, com tudo caindo aos pedaços. Embora por aqui não haja terremotos, cada vez mais são presentes erosões, rachaduras e trincas, tanto em obras públicas quanto em privadas.

Certamente o que vemos não são imagens hollywoodianas, mas sim o realismo catastrófico de erros passados e presentes. Depois dos episódios dos desabamentos do viaduto do Eixão e da laje do Bloco C da SQN 210, três outras estruturas assustam os brasilienses: a Ponte JK, um prédio residencial na SQS 112 e a Estrada Parque Guará (EPGU).

O problema na Ponte JK é simples. Se houvesse rotina de manutenção não haveria esse alarde todo. Placas de borracha que vedam as juntas de dilatação do platô da ponte se desgastaram e se soltaram. Elas servem justamente para vedar o espaço entre uma placa e outra do piso da ponte. Bastaria um acompanhamento rotineiro e material em estoque para que nada tivesse ocorrido. Mas não foi o que aconteceu.

O segundo caso, lembra-nos o da Asa Norte. Na SQS 112, o piso do piloti do bloco A apresenta rachaduras longitudinais e transversais de fora a fora. Uma trinca percorre toda a lateral do imóvel, dotado de caros apartamentos vazados, com 100 metros quadrados. As imagens assustam moradores e quem por ali passa. Não se tem informações sobre a extensão do dano e se já foram tomadas as providências necessárias.

Voçoroca

É sobre o Córrego Guará, nas imediações da Estrada Parque Guará que brotam as mais novas preocupações. Uma faixa da via de intenso tráfego foi interditada. O asfalto trincou, uma fenda paralela à pista surgiu e uma área extensa da vegetação lateral já não existe mais. O medo de uma voçoroca, de uma erosão que desmorone a EPGU é grande.

Questiona-se se a drenagem do local foi feita com eficiência, quando da construção da estrada, e se houve a devida manutenção. Uma erosão ali pode acarretar danos ambientais de grande magnitude, carreando terra para os cursos d’água, assoreando o córrego do Guará e o Lago Paranoá.

As fendas brotam como erva daninha. Há, ainda, a relação de nove outros viadutos e passagens de pedestres apontados pelo Tribunal de Contas como situação crítica e demandando, desde 2012, um reparo emergencial.

A inoperância do GDF nesses últimos governos vai sair caro ao contribuinte candango. As obras de reparo, como se vê no Eixo Rodoviário, são muito mais dispendiosas do que as de prevenção. Mas o comportamento de ignorar o perigo parece não ser apenas das autoridades públicas, é também do cidadão comum, como demonstra o prédio da SQN 112.

Drone Espião

Moradores da Quadra 28 do Park Way estão assombrados com um drone que resolveu fuçar a intimidade dos lares. Não importa a hora, lá está o bicho como uma abelha bisbilhotando tudo. Recentemente, um casal foi acordado às três da manhã com o drone filmando da janela o interior do quarto.

Relatos demonstram que ele sobrevoa piscinas, jardins, podendo verificar a rotina doméstica e até a existência de cães e câmeras de segurança. Além da irritação pela invasão da privacidade alheia, moradores se preocupam se os sobrevoos não estão servindo para que marginais venham depois roubar as residências.

O caso já foi levado à Administração Regional e à Delegacia de Polícia. Falta só a Anac. Até agora, nada! E o zumbido continua perturbando a comunidade…

Esperando Godot, digo, Lula

Como na peça do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, os partidos de Brasília, em especial o PT, aguardam o desfecho da situação judicial de Lula. Se o pior acontecer para os petistas, já se comenta internamente no partido a possibilidade de Paulo Hadad vir a ser o candidato a vice de Ciro Gomes (PDT).

Entendem ser melhor sair com quem já tem 10% de aceitação do que partir do zero. Caso isso ocorra, tudo pode mudar na política candanga. Uma coligação nacional PT-PDT forçaria um repeteco no DF. Assim, a articulação de Joe Valle (PDT) com partidos como a Rede, de Chico Leite, e o PPS, de Cristovam Buarque, pode ir pro brejo.

Nesse caso, como ficariam os partidos que apoiam hoje o nome de Joe Valle? Voltariam para os braços de Rollemberg? Somariam forças a Frejat e às agremiações de direita? Tentariam voo solo?

Em Esperando Godot, o foco é a espera daquilo que nunca chega. Os personagens tentam fazer com que o tempo passe, na busca incansável do sentido das coisas.

Por: Chico Sant’Anna

Deixe um comentário