A Amazônia em chamas

Os incêndios na Amazônia, captados por satélites, registram a devastação da floresta pelos incêndios criminosos.

Queimadas e desmatamentos sem controle na Amazônia brasileira se tornaram escândalo internacional e podem interferir nas relações comerciais do País. O The Guardian, tabloide britânico, informou que um dos cientistas mais respeitados da Inglaterra afirma que somente uma pressão internacional poderá impedir que o governo brasileiro “tome o caminho de ‘suicídio’ da Amazônia”.

Todos os dias as redes sociais divulgam a situação da maior floresta tropical do mundo. “Ela está sendo devastada por milhares de incêndios deliberados”, afirmam as denúncias. O presidente Jair Bolsonaro demitiu o ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, por ter revelado à imprensa os números do desmatamento.

Até quarta-feira(21), houve 7.746 incêndios na Amazônia, segundo o Inpe. Isso segue um aumento de 278% no desmatamento no mês passado. Os números são preliminares, mas uma tendência crescente foi observada por outros sistemas de monitoramento por satélite.

O Brasil registrou mais de 72 mil incêndios este ano, um aumento de 84% em relação ao mesmo período de 2018. Nem todos eram incêndios florestais, mas mais da metade estava na Amazônia. Em Porto Velho, um dos municípios mais afetados, ativistas ambientais disseram que houve incêndios pela cidade e as ruas estavam cheias de fumaça e fuligem.

No estado de fronteira de soja do Mato Grosso, que teve mais incêndios do que qualquer outro lugar neste ano, a queimada foi detectada dentro de terras indígenas e reservas naturais. “As pessoas estão com medo. Os hospitais estão cheios de gente com doenças respiratórias.

Em 60 anos, é a primeira vez que sinto dificuldade em respirar”, disse Ivaneide Bandeira Cardozo, coordenadora da organização ambiental Kanindé. “É mil vezes pior do que nos outros anos.

Situação vira escândalo internacional

O grande número de queimadas está modificando até o clima de outras regiões. As queimadas são realizadas por fazendeiros para limpar e preparar a terra para a especulação agrícola, de gado e de propriedade. A situação é tão grave que o presidente Bolsonaro criou um gabinete de crise. A ação se tornou escândalo internacional.

As cenas de animais mortos, fugindo do fogo, e o avanço das chamas por unidades de conservação, terras indígenas, propriedades ribeirinhas, entre outras áreas inapropriadas para o plantio, levaram o Amazonas a declarar estado emergência.

A fuligem criou nuvens de fumaça gigantes que flutuaram centenas de quilômetros e despertaram preocupações internacionais sobre a destruição de um sumidouro de carbono essencial.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disparou no Twitter: “nossa casa está queimando. Literalmente. A Amazônia, o pulmão que produz 20% do oxigênio do nosso planeta, está em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa emergência na primeira ordem em dois dias”.

Macron pediu à cúpula do G7, grupo de países mais ricos do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) uma reunião de emergência sobre o assunto. O G7 se reúne neste fim de semana no balneário francês de Biarritz.

A Noruega e a Alemanha suspenderam doações para o fundo amazônico do governo brasileiro. Questionado sobre os incêndios, o ministro do Comércio do Reino Unido, Conor Burns, se recusou a comentar o assunto e disse que o governo Bolsonaro tinha “ambições legítimas de trazer prosperidade ao seu povo”.

No Brasil e no mundo, cientistas acusam o governo Bolsonaro de estimular crimes ambientais. Carlos Nobre, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), assegura que o aumento do desmatamento está levando a floresta a um ponto de inflexão além do qual trechos dela, geralmente úmida, estão se tornando uma savana seca, com terríveis consequências para o clima, vida selvagem e moradores da floresta. Nobre disse que o desflorestamento está a caminho de subir de 20% a 30% este ano e é muito provável que passe 10 mil quilômetros quadrados pela primeira vez em mais de dez anos.

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