85% dos funcionários da administração de Taguatinga trabalham na burocracia

Karolyne Guimarães: “estou cumprindo uma missão”. Foto: Antonio Sabino

 

Nesta entrevista ao Brasília Capital, a administradora de Taguatinga, Karolyne Guimarães, admite que 85% dos 300 servidores da regional trabalham em atividades burocráticas. Ela afirma que precisaria de 200 nas atividades de rua. E sonha em continuar no cargo.

Como administrar uma cidade de 250 mil habitantes sem orçamento? – A gente buscou trabalhar projetos em conjunto com a sociedade.

Mas isto não é apenas um paliativo para falta de recursos? – Na verdade, a gente buscou trabalhar com projetos exatamente pela escassez dos recursos e também para envolver a comunidade na busca de alternativas que agreguem valor à sociedade sem necessariamente fazer obras.

A administração não faz investimentos em Educação, Saúde e Segurança e não tem autonomia para pequenas obras, apesar de ser o órgão do GDF mais próximo à comunidade. Para quê serve a administração? – Eu busco emendas parlamentares. Se eu vejo uma necessidade de uma escola, corro atrás de uma emenda parlamentar.

Mais um paliativo. Qual seria a forma ideal? – O ideal seria que cada administração tivesse um kit com, por exemplo, caminhões, tratores, bobcat, roçadeiras, pás-mecânicas etc.

A administração de Taguatinga tem quantos funcionários? – Quase 300.

O que eles fazem? – Temos o funcionamento administrativo, que trabalha com alvará, com habite-se, gerenciamento de cultura e mexe com a burocracia. Temos um parque de serviço.

Quantos estão no parque de serviço? – Como colaboradores braçais terceirizados da FUNAP são aproximadamente 30.

Quantos servidores da administração prestam serviços para a comunidade fora da burocracia? – Uma média de 10 comissionados.

Então, de 300, apenas 15% estão fora da burocracia. Não acha muito pouco? – Nós temos um procedimento a ser seguido na administração. Por exemplo, o protocolo, a chefia de gabinete, a gerência de financiamento, gerência de pessoal. Dentro desses setores vão tendo os desdobramentos.

Mas, e o trabalho na rua? – O ideal é que tivéssemos 200 pessoas trabalhando na rua.

Acumulando com os quase 300 da burocracia? – Nesses 300 estão incluídos estagiários, terceirizados da limpeza e da segurança, comissionados, funcionários e colaboradores da FUNAP. Mas funcionários mesmo são menos de 100.

Como você faz quando precisa tapar um buraco na rua? – No final do ano passado, eu tinha duas equipes de asfalto. Hoje só tenho uma. Uma das máquinas quebrou e, como é final de mandato, a Novacap tem que fazer o inventário do patrimônio e eu tive que devolver a máquina e eles não me restituíram.

Com todas essas dificuldades, você ainda gostaria de ser reconduzida ao cargo pelo futuro governador? –Eu estou cumprindo uma missão. Sou advogada e professora, e aqui sirvo à nossa população. Se eu tiver a oportunidade de continuar a servir à nossa comunidade, sem dúvida será uma oportunidade bem-vinda.

E você tem feito gestões políticas para ser renomeada? – Eu sou indicada pelo ministro Ronaldo Fonseca, e ele que tem feito as articulações necessárias no grupo dele.

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