A “revolução” no transporte coletivo de Brasília, anunciada pelo GDF em 2011, quando foi aberta a licitação para a contratação das empresas que atenderão às cinco grandes “bacias” para o sistema rodoviário do Distrito Federal, pode revelar mais um grande escândalo. Uma série de reportagens publicadas pelo Jornal de Brasília, desde segunda-feira (13), aponta para suspeitas, que já estão sob investigação em órgãos como o Tribunal de Justiça do DF, Ministério Público, Tribunal de Contas do DF e a Polícia Federal. Na Câmara Legislativa, a bancada de oposição sinaliza com a possibilidade de pedir a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Segundo o Jornal de Brasília apurou, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Abradec), entrou com uma denúncia no Ministério Público, após descobrir que o consórcio Logit/Logistrans, contratado pelo GDF para elaborar o edital de licitação para novo sistema de transporte, é integrado por Garrone Reck, com colaboração jurídica do escritório Guilherme Gonçalves e Sacha Reck Advogados Associados. Garrone é pai de Sacha Reck,

O referido escritório de advocacia presta serviços jurídicos para a empresa paranaense Viação Marechal, do Grupo Gulim – vencedora da licitação para operar a Bacia 4, que abrange as cidades de Taguatinga, Park Way, Ceilândia, Guará e Águas Claras.

Irregularidades

Segundo os levantamentos, a Viação Marechal não apresentou documentação exigida na fase de habilitação. Mesmo assim, ganhou a Bacia 4. Todo o processo foi conduzido com anuência da Comissão de Licitação da Secretaria de Transportes, presidida por Galeno Furtado, servidor de carreira da Codeplan e ex-ocupante de cargos de direção da empresa em governos passados. Furtado teria estendido o prazo para que a empresa paranaense providenciasse os ajustes necessários para validar sua participação no certame.

As irregularidades não param por ai. O então presidente da Comissão de Licitação teria agido da mesma forma em relação à Viação Piracicabana, do Grupo Constatino, que disputa a Bacia 1. Questionada sobre os indícios de irregularidades, a Secretaria de Transportes nega as evidências apresentadas pela Abradec.

Saiba +

Bacia 1 (Brasília, Sobradinho, Planaltina, Cruzeiro, Sobradinho 2, Lago Norte, Sudoeste/Octogonal, Varjão e Fercal):Quase R$ 1bi

Bacia 2 (Itapoã, Paranoá, Jardim Botânico, Lago Sul, Candangolândia, Park Way, Santa Maria, São Sebastião e Gama): R$ 1,2 bi

Bacia 3 (Núcleo Bandeirante, Samambaia, Recanto das Emas e Riacho Fundo 1 e 2) R$ 1,4 bi

Bacia 4 – (Parte de Taguatinga e do Park Way, Ceilândia, Guará e Águas Claras): R$ 1,2 bi

Bacia 5 – (SIA, SCIA, Vicente Pires, Ceilândia (ao norte da Av. Hélio Prates), Taguatinga (ao norte da QNG 11) e Brazlândia) R$ 1,4  bi

 

Da Redação

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