2014 – Uma nova Blikkiesdorp ?

Em 2010, em meio à festa da primeira Copa do Mundo em continente africano, o rumoroso episódio da Blikkiesdorp – “cidade de lata”, em africâner –  manchou a imagem da África do Sul e da organização do evento.

O autointitulado “governo de integração”, formado em grande parte por aqueles que ajudaram a acabar com o apartheid racial – oficialmente extinto na década de 1990 – implementou uma nova forma de segregação, agora social, com um único objetivo: esconder do mundo a pobreza de uma das sedes da copa.

A população “indesejável” de Cape Town (Cidade do Cabo) – moradores de rua, imigrantes pobres, portadores do vírus HIV – foi confinada num assentamento localizado a 20 km da metrópole, formado por milhares de barracos de zinco, que potencializavam o frio no inverno e o calor no verão.

Barracões de zinco: condições de vida sub-humanas na periferia de Cape Town

A Cidade de Lata foi construída em 2008, como uma situação transitória para abrigar invasores de prédios públicos.

Até 2010, pelo menos havia uma certa segurança. O local era totalmente cercado por arame farpado e seu único acesso era rigidamente controlado por policiais.

A Copa do Mundo foi um sucesso! Como se sabe, o Brasil voltou pra casa mais cedo, graças a Dunga, Felipe Melo & cia, e a Espanha, comandada por Xavi e Iniesta, foi a grande campeã.

A Fifa e alguns figurões encheram os bolsos, o tempo passou e, como era de se esperar, promessas foram esquecidas. Blikkiesdorp está completando cinco anos, se tornou uma favela perigosíssima, e seus moradores engordam uma lista do governo para receber casas de verdade, numa espera que deve levar décadas.

No Brasil, vários estádios belíssimos são circundados por favelas, o que certamente não passa uma boa imagem para o resto do mundo. Será que teremos uma reedição de Blikkiesdorp por aqui?

Castelão: primeiro estádio brasileiro pronto para a copa, localizado em um bairro paupérrimo de Fortaleza.

 

Por Sérgio Camelo

 

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