Um suspiro a cada olhar

Na sequência de desfiles e semanas de moda que acontecem nesta época, a semana de alta-costura em Paris é sem dúvidas a mais esperada. A cada desfile, uma proposta é apresentada àquelas que brevemente irão deleitar-se sob obras-primas, que diante da magnitude processual por trás de cada peça, entendem como poucos, o valor e o significado de uma haute couture.

O título desta matéria é tão revelador quanto sugestivo: põe em evidência aquilo que senti perante as imagens que vi ao longo dos últimos dias. Comecemos por Versace, que abriu a temporada com ninguém menos que Naomi Campbell  traduzindo na passarela a alma sensual e fetichista do atelier de Donattela, anfitriã da marca. Couro, veludo e renda dão origem aos vestidos, saias, jaquetas e calças cheios de decotes, fendas e transparência.

Seguindo a temática, Armani Privé também traz um glamour exacerbado, porém minimalista, da mulher dos anos 30. Contraditório? Não para Giorgio Armani e sua coleção intitulada “nude” que fornece e brinca com a variabilidade de tons em looks de renda e brilhos metalizados. Estas e outras tendências -destaque também para o animal print da cabeça aos pés proposto por Jean Paul Gaultier- prometem permanecer nos armários.

Mudando os tempos, visões contemporâneas e universais surgiram como fio condutor de Raf Simons à frente da Dior e também de Karl Lagerfeld, na Chanel. Guiado pela pesquisa minuciosa de novos tecidos e materiais, Simons mostrou como técnicas inovadoras podem ser capazes de renovar a alta-costura e Lagerfeld, por sua vez, tratou tailleurs e vestidos imprimindo uma pegada jovem e futurista sugerindo – por que não?- novos rumos ao couture.

 

Por João Lobato

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