Trabalhadores protestam contra reforma da Previdência Social em 25 estados

Manifestantes acusam governo de tentar acabar com direitos adquiridos. Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Valdeci Rodrigues (*)

O que era para ser uma greve geral, convocada pela CUT, Força Sindical e mais quatro centrais sindicais, transformou-se em atos de protesto contra a reforma da Previdência Social em várias cidades de 25 estados nesta terça-feira (5). Enquanto isso, em Brasília, o governo dava informações de que havia otimismo para se conseguir os 308 votos (mínimo necessário) para aprovar a emenda constitucional.

A paralisação havia sido agendada e cancelada porque o governo concluiu, na sexta-feira (1º), que não havia votos suficientes para colocar a proposta em votação na quarta-feira (6), como anunciara. Pelos cálculos dos aliados, só seria possível um placar de aproximadamente 250 votos a favor, mas o otimismo governista aumentou durante o fim de semana.

A CUT, que contabilizou as mobilizações em 25 estados, informou que, para os trabalhadores, mesmo com alterações na proposta original, a reforma representa perda de direitos. O governo vende a ideia de que não há como reduzir o déficit público, nem garantir pagamento de aposentadorias e outros benefícios no futuro, sem a reforma.

Reeleição – O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), está empenhadíssimo na articulação governista. Foi ele próprio que anunciou a impossibilidade de aprovar o texto na quarta-feira. “Deputado que aprovar a nova proposta da Previdência de Temer não vai se reeleger em 2018”, diz o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.

“Conhecemos a realidade principalmente da arrecadação previdenciária, e a gente sabe que a arrecadação tem muitos problemas, muitos devedores, muita sonegação. A gente sabe que esse é o principal problema da Previdência. Uma reforma tem primeiro que discutir esse ponto”, diz o diretor do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), Odair Ambrósio.

A respeito de propaganda feita pelo governo apontando os privilégios dos funcionários públicos como causa do rombo nas contas previdenciárias, um dos diretores nacionais da Fasubra, que reúne sindicatos de técnicos administrativos em universidades federais, Gibran Jordão, responde que a situação dos servidores é ruim.

“A maioria, trabalha em uma situação precária. A maioria dos funcionários não recebe salário maior do que R$ 10 mil, a maioria não tem altos salários. Temos situações no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul que sequer recebem salário. Isso é situação de privilégio?”, pergunta Gibran.

O governo argumenta que a intenção da reforma é acabar com as diferenças entre os trabalhadores. Nos últimos discursos, o presidente Michel Temer destacou que a reforma da Previdência não deve ser “ampla”, como a proposta inicial. E que a ideia agora é estabelecer a idade mínima para aposentadorias (62 para mulheres e 65 para homens) e equiparação do sistema público ao privado.

De acordo com o Resultado do Regime Geral de Previdência, divulgado pela Secretaria de Previdência, no acumulado do ano o déficit previdenciário chega a R$ 156 bilhões – 21,8% maior que no mesmo período do ano passado. A arrecadação soma R$ 296,5 bilhões e a despesa, R$ 452,4 bilhões,

 

(*) Com agências

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