Sombra: te conheço?

 

A nossa sombra são os aspectos obscuros da nossa psique. Aqueles que temos dificuldade de olhar, assumir e ter clareza. Alguns podem considerar a sombra como o nosso lado ruim. Mas na verdade, ela é apenas aquele lado o qual não queremos aceitar em nós mesmos. Essa dificuldade de aceitação ocorre por uma educação social a qual em muitos momentos nos impele a ser o que é considerado bom para a sociedade. Isso acaba nos fazendo definir alguns sentimentos e situações como bons ou ruins e tentamos espelhar nossos comportamentos dentro desses conceitos, ou melhor dizendo pré-conceitos, que criamos. É complicado nos separarmos disso, pois somos ensinados desde crianças a viver dessa forma.

Por exemplo, um filho pequeno que vê uma mãe chorar e a interroga: Mãe, você está triste? Ela logo tenta disfarçar suas lágrimas e desqualificar a sua tristeza como se fosse algo ruim. Outro exemplo comum é a dificuldade das pessoas se assumirem com raiva e com inveja. É como se esses sentimentos as diminuíssem como seres humanos. No entanto, são sentimentos que em alguma medida todos nós sentimos. E são eles que são capazes de nos ajudar no autoconhecimento e de ver aqueles lados que precisamos entender, trabalhar para que não se transformem em desequilíbrios na nossa vida.

Passamos a definir como “bom” ser feliz, ser rico, estar com um físico em forma, etc. E estar triste, sentir raiva, estar silencioso, estar em crise passam a ser aspectos indesejáveis. Não há nenhum problema em buscarmos os primeiros aspectos para a nossa integração. O problema consiste em acreditarmos que conseguimos apenas estar neles e negarmos que como individuos humanos todos os sentimentos fazem parte de nós.

O que dificulta essa busca pela verdade e integridade é o nosso ego cheio de estima e necessidade de aprovação. É tão bom acharmos que não temos defeitos, é tão bom pensar que não temos problemas e que lidamos com a vida da melhor forma possível, é tão bom acreditarmos que somos bem resolvidos. Mas precisamos tomar cuidado para que isso não seja apenas uma ilusão que nos leva a uma estagnação de viver.  Uma forma de pensar que nos deixa compartimentados e sem o nosso poder total. Aceitar que somos quem somos, com tudo que nos é permitido, é ganhar força na vida. Força de mudança, força de transformação e força de encontrar verdadeiramente o caminho ao qual nosso coração procura e nossa alma clama.

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