Sofrimento do início ao fim

O Atlético Mineiro passa pelo momento mais importante de sua história. O Galo está na final da Copa Libertadores da América. Vice-campeão brasileiro em 2012 e um dos melhores elencos do Brasil, o time perdeu, quarta-feira (17), no estádio Defensores Del Chaco, casa do paraguaio Olímpia, o primeiro dos dois jogos que decidirão o título da competição deste ano. Não tem sido fácil a trajetória do Galo. Depois do sufoco contra o News Old Boys (Argentina), na semifinal, a turma do técnico Cuca e do ídolo Ronaldinho Gaúcho perdeu por dois a zero o primeiro jogo da semifinal, sofrendo o segundo gol da pior forma possível, aos 48 do segundo tempo.

Mas o sofrimento do torcedor atleticano começou antes do jogo. Principalmente para aqueles que não moram em Minas Gerais. Mostrando descaso com a torcida do Galo Brasil afora, a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão da Copa Libertadores, da Recopa Sul-Americana e da Copa do Brasil, determinou quais jogos seriam transmitidos pela TV aberta. Primeiramente, a gigante da comunicação aceitou que o jogo final da Recopa, entre Corinthians e São Paulo, acontecesse no mesmo dia da final da Libertadores, o que poderia ter evitado. Bastaria um simples acordo da Globo com a Conmebol, o que sequer foi tentado.

Globo e Conmebol determinaram que a única TV aberta em território nacional que transmitiria o jogo seria a própria Globo. E isto só ocorreria onde fosse conveniente. Com isso, puderam assistir à final da Libertadores apenas os telespectadores do Centro-Oeste, de Minas Gerais, da Bahia e de Pernambuco. Os telespectadores do Rio de Janeiro tiveram que se conformar em assistir ao “clássico” Flamengo 1 x 0 Asa, pela Copa do Brasil (o jogo de ida, em Arapiraca-AL, tinha sido vencido pelo rubro-negro carioca por 1 X 0, e o Sul teve o “privilégio exclusivo” de ver, ao vivo, América (MG) 0 X 1 Internacional-RS. Já o interior de São Paulo viu o Corínthianhs confirmar o título da Recopa, ao derrotar o combalido São Paulo por 2 X 0, depois de vencer a primeira partida por 2 X 1.

Diante de tantas dificuldades, a única alternativa para os atleticanos era a TV por assinatura, coisa rara na casa dos brasileiros, segundo o IBGE. O instituto de pesquisa mostra que apenas 16,9 milhões das 193 milhões de pessoas residentes no Brasil possuem acesso à TV a cabo.

O jogo

Nada é fácil na vida do Atlético. E nunca foi. O jejum de títulos brasileiros, a derrota no campeonato de 2012… A Libertadores também não seria. E não está sendo. Depois da épica vitória contra o News Old Boys, com pênalti defendido aos 48 do segundo tempo, nada mais é impossível na vida do Galo. A derrota de 2 X 0 para o Olímpia no primeiro jogo só fez subir o volume do grito de “eu acredito”, vindo das arquibancadas. Desta vez ele será ainda mais alto, com 65 mil vozes no Mineirão. O Galo precisa vencer por três gols de diferença para ser campeão. Por dois, leva a decisão para a disputa nos pênaltis, situação idêntica à da semifinal, vencida pelo time mineiro. Tem que ter fé. Tem que acreditar.

Cuca

A final é a prova de fogo também para o técnico Cuca. Rei dos vice-campeonatos, o treinador é famoso por montar times que jogam muito e levantam poucas taças. No primeiro jogo o time dele não rendeu o usual nos últimos tempos, e Cuca ainda pode ter dado um tiro no pé substituindo Ronaldinho. O craque realmente não estava jogando bem, mas precisa de um tratamento diferenciado. Ele já mostrou que seu futebol rende de acordo com sua alegria de estar em campo. O papel do técnico é mantê-lo feliz. Ronaldinho, além de tudo, é o termômetro da equipe e precisa estar feliz. Cuca precisa mostrar que tem comando para contornar a situação e levar o Atlético ao maior título de sua história.

Boa sorte, comandante.

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