Quem me levará sou eu?

Sempre fui um tanto covarde em relação à morte. Prefiro, de modo geral, escrever sobre as coisas da vida, como se aquela não fosse decorrência desta. Mas, a título de introdução, esclareço: o presente texto será apenas um registro, uma modesta homenagem ao compositor, sanfoneiro, cantor e poeta José Domingos de Morais, o popular Dominguinhos.

Ele nos deixou na terça-feira (23), vitimado por um câncer de pulmão que o acometia de algum tempo e que o levou a ser internado desde 13 de janeiro. Inicialmente em hospital do Recife e de lá transferido para o Sírio-Libanês, em São Paulo, onde recebera tratamento especializado, mas nem assim, se viu livre da implacável doença que o fez sucumbir.

Ainda menino, influenciado pelo seu padrinho musical, o rei do baião Luiz Gonzaga, o menino Dominguinhos arruma suas coisas numa malota (na verdade, um saco, cujo cadeado era um nó, e só trazia a coragem e a cara, viajando num pau-de-arara), desembarca no Rio de Janeiro, ainda menor de idade. Isso nos anos 1950.

Ali, na Cidade Maravilhosa, deu prosseguimento nos estudos musicais. Começou a gravar LPs e compactos, fosse acompanhando seu mestre Lua, ou tocando com outros vultos da música brasileira, passando ao estrelato na Rádio Nacional como um dos grandes expoentes daquela época.

Mas Luiz Gonzaga é que era mesmo o seu xodó, pois sua praia sempre foi a música nordestina de raiz. Contudo, fez parceria com outros mitos, como Gilberto Gil e Chico Buarque, dentre outros.

De suas composições extraem-se preciosidades como “Vou chorando minhas mágoas/ Até quando eu não sei/ Se é verdade que o amor mata/ Ai, de amor eu morrerei”.

Diz a medicina que quem matou Dominguinhos foi o câncer. Ele, que afirmava que morreria de amor, dele morreu, ajudado pela neoplasia, é claro.

Onde quer que esteja o poeta, decerto estará forrozando e dizendo: “olha que isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais”.

Até um dia, Dominguinhos.

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