Quando a Beleza pegou em armas

O Brasil virou um barril de pólvora prestes a explodir, após a leitura no Congresso Nacional da Carta de Renúncia do então presidente da República, Jânio Quadros, na tarde de 25 de agosto de 1961. Não fosse a indevida intervenção dos ministros militares Denys, Heck e Moss, tudo ocorreria em paz. Bastava cumprir a Constituição, com a posse do vice-presidente João Goulart, que se encontrava em viagem oficial no exterior.

Mas o trio golpista decidira o contrário: a tomada do poder por conta própria. Porém, a reação foi imediata. No Sul, o então governador Leonel Brizola mobilizou a Brigada Militar gaúcha, obteve apoio unânime do povo e de políticos, finalmente do general comandante do 3º Exército.

E através de uma rede nacional de rádio, Brizola exortava a resistência contra a iminência do golpe militar. A primeira e única resposta veio do governador de Goiás, coronel Mauro Borges. Diante da ameaça de bombardeio do Palácio das Esmeraldas, sede de seu governo, Mauro colocou a Polícia Militar em rigoroso plantão e transformou a arborizada Goiânia numa autêntica cidadela de guerra.

Com base no noticiário, tudo levava a crer que o bombardeio ou a tomada da cidade por paraquedistas ocorreria na noite de 31 de agosto, quinta-feira.

Ao lado do saudoso fotógrafo Jankiel Gonzgarowska, da Revista Manchete, acompanhávamos de perto, ali no Palácio das Esmeraldas, a estratégia do governador goiano disposto a resistir a qualquer tipo de ataque. Vindos do Rio, havíamos chegado a
Goiânia três dias antes e testemunhamos a participação do povo no anti-golpe, principalmente de estudantes.

Nas ruas arborizadas da cidade, o Jankiel documentara com sua Nikon rapazes e moças recebendo instruções de um oficial da PM de como manejar um fuzil.

Felizmente, no frigir dos ovos, graças à coragem e patriotismo de Leonel Brizola e Mauro Borges, o trio golpista foi amordaçado: Jango voltou e tomou posse. E caso se concretizasse a invasão ou o bombardeio prometidos, seria um cruel genocídio, até
porque se encontravam na linha de frente de Goiânia lindas moças
(consideradas as mulheres mais bonitas do País), hoje distintas senhoras da sociedade local.

PS – E, com certeza, o autor desta croniqueta não estaria agora
catando milho no teclado do computador.

 

 

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