O Papa dos pobres

    Como não sou praticante e muito menos membro da Igreja Católica
Apostólica Romana, sinto-me à vontade para escrever sobre o assunto
que ocupou as manchetes do mundo inteiro: a surpreendente e inédita
renúncia do Papa Bento XVI, o alemão Joseph Ratzinger, anunciada a 11
de fevereiro deste ano, e respectiva posse do Papa Francisco, o
argentino Jorge Mário Bergóglio, a 19 de março, 38 dias depois.
        Há quem diga que o atual Sumo Pontífice Bergóglio obteve expressiva
maioria no conclave de 111 cardeais que o elegeram, por ser “oriundi”,
ou seja, de descendência italiana. Também há quem discorde, entre os
quais o conhecido teólogo brasileiro Leonardo Boff, ex-sacerdote da
Ordem dos Frades Menores (franciscanos), por sinal, considerado pelo
Vaticano como “persona non grata”” por suas idéias avançadas. Ele
acredita que se tratou de uma manifestação divina, tal qual ouviu São
Francisco de Assis, quando orava na Capelinha de São Damião, em
Porciúncula: “Francisco, vai e restaura a minha Casa e olha que ela
está em ruínas!”

     De fato, tudo indica que o Papa Francisco assumiu o comando do
Vaticano na hora aprazada, com a Igreja Católica no auge de uma crise
que incluía sérias irregularidades, principalmente pela impunidade aos
padres pedófilos. E o próprio Papa Ratzinger, em sua emocionante
despedida na última Missa que oficiou, desmentiu a versão de que sua
renúncia tinha sido motivada por encontrar-se muito doente. A verdadeira razão
dizia respeito aos “golpes dados à unidade da Igreja” somada “pelas
divisões no corpo diplomático”.

     É oportuno assinalar que na história do Vaticano, nenhum Papa
conseguiu conquistar em tão pouco tempo seus milhões de fiéis (e até
mesmo não-católicos, como no meu caso), coincidentemente, fazendo
lembrar São Francisco pela simplicidade das palavras e pelo vestuário.
Ao contrário de seus antecessores, em sua posse ele dispensou os
ornamentos de ouro, incluindo o Crucifixo, trajando apenas uma imaculada batina branca. E disse em seu breve discurso: “O verdadeiro poder é o serviço. O papa deve servir a todos, especialmente aos pobres, aos mais fracos, aos mais pequeninos!”

      Até mesmo a nossa Presidente Dilma voltou encantada em seu recente
encontro protocolar com Sua Santidade. Mas fez a ressalva: “O Papa é
argentino, mas Deus é Brasileiro!

     Ela tem toda razão.


Por Fernando Pinto
Da Redação

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