Muito obrigado, Bibi Ferreira!

Quando a vi no Rio de Janeiro, em 1962, estrelando no palco do Teatro Carlos Gomes a superprodução teatral My Fair Laid, Bibi Ferreira tinha 40 anos de idade. Filha do genial artista Procópio Ferreira, àquela altura já era considerada cantora veterana.

Mas jamais poderia imaginar que, 55 anos depois, eu a reencontraria aqui em Brasília, aos 95 anos, interpretando ases da música internacional, a exemplo de Carlos Gardel, Amália Rodrigues, Edith Piaf e Frank Sinatra. E o mais incrível: cantando e emocionando plateias de milhares de fãs, inclusive a mim, que me fez derramar uma avalanche de lágrimas, já que sou chorão de carteirinha.

Na verdade, Bibi já nasceu artista, surgindo em cena aos 24 dias de vida, na peça Manhãs de Sol, substituindo uma boneca que desapareceu pouco antes de iniciar o espetáculo. Poliglota que dominava mais de quatro idiomas, até os quatro anos só se comunicava em castelhano, em companhia de sua mãe Aída Izquierdo, bailarina espanhola.

O português e o grande amor pela ópera, ela viria a aprender com o seu pai. Quanto ao currículo escolar, teria o primeiro tropeço ao ter sua matricula recusada no refinado Colégio Sion, por ser filha de um ator de teatro, mal visto pela elite da época. Em compensação, foi aceita no excelente Colégio Anglo Americano, concluindo o curso secundário.

Simultaneamente aos seus estudos escolares, entrou para o corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde permaneceu até estrear ao lado do pai, interpretando Mirandolina, na peça La Locandiera. Daí em diante, os sucessos se sucederam, tornando-a reconhecida internacionalmente.

Em 1944, fundou sua própria companhia teatral, reunindo alguns dos nomes mais importantes do teatro brasileiro. Sempre em trajetória ascendente, transferiu-se para Portugal, onde dirigiu peças durante quatro anos, ratificando êxitos anteriores.

Nesta apresentação em Brasília, a jovem-nonagenária Bibi Ferreira fez uma declaração surrealista: “Nessa comunhão entre o palco e a platéia, é cantando que me encontro com Deus!”

 Para mim, a presença da artista valeu como estímulo para continuar caminhando com as pernas cada vez mais firmes, sem derrapar nas perigosas ladeiras da vida, aos 91 anos de idade. Eis porque só me resta agradecer:

Muito Obrigado, Bibi Ferreira!

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