Mais médicos, mais integração

Um pequeno grupo de médicos cubanos que já trabalharam no Distrito Federal durante o governo de Cristovam Buarque (1995/1998) na implantação do programa Saúde da Família retorna agora para atuar nas localidades mais necessitadas do DF, pelo programa Mais Médicos. A vinda desses profissionais, a despeito de uma injustificável hostilidade das entidades médicas,   representa um argumento eloquente para a necessidade de acelerar a integração da América Latina, em benefício dos povos.

A primeira constatação é que nada justifica a  demora. A medida já poderia ter sido tomada há anos, tal como foi feito na Venezuela, convocando 23 mil médicos de Cuba. Eles reduziram a mortalidade infantil por lá, que, agora, tem  a mais baixa taxa da América do Sul.

Paradoxo – Segundo dados do Ministério do Trabalho, 70 mil engenheiros estrangeiros trabalham no Brasil, hoje. E nenhuma gritaria. É que a atuação desses profissionais leva riquezas para fora do país. Porém, quando se trata de salvar vidas, acendem-se as fogueiras do inferno da nova inquisição.

Há anos, arrasta-se no Ministério da Educação um projeto piloto de alfabetização, com pedagogos cubanos. Inexplicavelmente, essa proposta está confinada em apenas três cidades do nordeste brasileiro. Será que não se sabe, pela Unesco, que o método de alfabetização cubano tem eficiência comprovada  em vários países?  Venezuela, Equador e Bolívia erradicaram o analfabetismo em  um ano. O que espera o MEC?

Ante aos insultos grosseiros que as representações médicas e a  mídia (teleguiada pelas transnacionais farmacêuticas) lançaram contra profissionais cubanos e contra Cuba, a resposta que os movimentos progressistas, os sindicatos e a UNE devem dar é qualificar o debate democrático em torno da integração, priorizá-lo, e convocar a TV Brasil a informar sobre a nobre história da medicina cubana e sua função libertadora, humanitária e solidária no mundo. Cuba comparte seus modestos recursos com os povos. Deveria estar sendo indenizada, jamais insultada por sua generosidade.

 

 

Queremos dar amor, diz médica cubana

 

         “Para nós, é um prazer estar aqui. Somente queremos ajudar. Somente queremos dar amor e receber amor”, afirmou Jaiceo Pereira, de 32 anos, caloura do grupo de médicos cubanos, ao desembarcar em Brasília. “Sou nova, mas tenho bastante experiência. No meu país, se estuda medicina por seis anos consecutivos e, a partir do segundo, começamos a atender à população. Depois, temos que prestar dois anos de serviço social”, atestou Jaiceo.

A médica, que atuou por dois anos e meio em regiões muito carentes da Bolívia, disse não temer encontrar, no Brasil, condições de trabalho inferiores às oferecidas em Cuba. “Na Bolívia, atuei em locais muito difíceis, mas não retornei. Fiquei até o final”, afirmou. O colega Angel, que trabalhou em Honduras, mostrou a mesma disposição. “Estive em locais de muitas dificuldades, mas sempre enfrentando a morte para dar qualidade de vida ao povo”, resumiu.

Rodolfo Garcia, graduado há 26 anos, também ressaltou a farta experiência do grupo em países pobres ou com históricos de desastres naturais. “Nossa vinda é fundamental para atender as regiões brasileiras que não têm médicos. Cuba é um país pobre em recursos naturais, mas que tem muita formação em recursos humanos”, garantiu. Ele já atuou em regiões carentes do Brasil, nos estados do Pará, Amapá e Tocantins. (BA).

 

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