Maduro pede “poderes especiais”

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou ontem (8) um pedido à Assembleia Nacional que analise um projeto de lei, “Lei Habilitante”, que, uma vez aprovada, poderá conferir-lhe poderes especiais a fim de lutar contra a corrupção e a “guerra econômica”, como ele denomina a crise no setor econômico enfrentada pelo país.

Sem dar maiores detalhes sobre o projeto de lei, no discurso feito na Assembleia Nacional, ele defendeu a criação do que chamou de “nova ética” para combater a especulação financeira e a corrupção – apontadas por Maduro como as principais razões da crise. “Já basta, compatriotas! Temos que conseguir fazer com que a renda do petróleo seja investida no desenvolvimento da economia e não na especulação e enriquecimento de grupos particulares que querem o controle político”, disse.

Segundo o presidente, seu governo aplicará a fórmula dos três R (Revisão, Retificação e Reimpulso Nacional). Com a fórmula, Maduro pretende combater a “corrupção e a máfia” da Comissão de Administração de Divisas (Cadivi) – órgão regulador das finanças no país responsável pelo controle cambiário no país.

Nesse ponto, o presidente demonstrou estar de acordo com seu principal opositor, o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, que acusou a Cadivi de ser um “antro de corrupção”. “Há um grupinho de empresas que conseguem dólares na Cadivi”, declarou Capriles em seu programa Venezuela Somos Todos, transmitido pela TV Capriles, emissora via internet criada pelo opositor.

A especulação financeira mantém o dólar não oficial em um patamar muito acima do estabelecido pelo governo. No site Lechuga Verde, que apresenta a cotação do dólar não oficial no país, a moeda norte-americana estava sendo cotado em 42,9 bolívares, um valor quase sete vezes maior que o dólar no câmbio oficial, fixado em 6,30 bolívares.

Maduro disse ainda que a economia venezuelana atravessa uma conjuntura difícil, sendo “impactado por distorções, especulação contrabando e mercado de divisas ilegais”. Segundo ele, é preciso desenvolver uma “ofensiva” contra a “guerra econômica” que, de acordo com o presidente, é empreendida pela direita venezuelana. Desde que assumiu o poder interinamente, após a morte de Chávez em março, Maduro têm responsabilizado a oposição pela inflação alta, escassez de produtos básicos e especulação monetária, refletida na valorização do dólar comercializado no mercado paralelo.

Em agosto, Maduro anunciou mudanças na lei venezuelana para combater a corrupção, para ele, um dos “impedimentos” para o desenvolvimento do país. Entre as medidas, solicitou à Assembleia Nacional que atribua pena máxima aos corruptos.

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