Léo Pinheiro afirma que Gim Argello e Vital do Rêgo pediram propina de R$ 5 milhões

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Pinheiro diz ter repassado R$ 2,5 milhões ao ex-senador Vital do Rêgo, então presidente da CPI da Petrobras. Foto: Reprodução

O ex-presidente da empreiteira OAS, José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, investigado na Operação Lava Jato, disse hoje (13) que está disposto falar “tudo o que sabe”. Pinheiro voltou a prestar depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Na primeira vez, ele permaneceu em silêncio diante de Moro.

No depoimento, Pinheiro confirmou que participou de uma reunião com o ex-senador Gim Argello (preso em abril deste ano como parte da Lava Jato) para discutir como barrar as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, encerrada em 2009. Na época, a comissão apurava suspeitas de desvios de recursos na estatal e buscava a convocação de empreiteiros ligados à estatal.

Segundo ele, na reunião, estavam presentes o ex-ministro Ricardo Berzoini e o ex-senador Vital do Rêgo, então presidente da CPI, e hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Na época, Argello ocupava cargo de vice-presidente da CPI, e foram solicitados R$ 5 milhões, segundo o empreiteiro. No depoimento, Pinheiro disse que a quantia não foi paga porque “fugia ao padrão de doações eleitorais da OAS”.

No entanto, o ex-presidente da empreiteira afirmou ter repassado R$ 2,5 milhões a Vital do Rêgo, sendo R$ 1 milhão de doação oficial para o PMDB nacional. E que também fez repasses de R$ 1 milhão ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia.

No primeiro depoimento, prestado em 24 de agosto, o empreiteiro permaneceu em silêncio durante audiência com Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na Justiça Federal. Dois dias antes do depoimento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia suspendido a negociação do acordo de delação premiada de Léo Pinheiro, após a divulgação pela revista Veja de vazamentos do acordo.

Pinheiro foi preso pela segunda vez na Lava Jato no dia 5 de setembro. Ao decretar novamente a prisão de Pinheiro, Moro disse que a prisão não tem relação com a suspensão das negociações do acordo de delação premiada. No despacho, Moro também explicou que o pedido de prisão de Léo Pinheiro foi feito em março e que demorou para tomar a decisão para aguardar o andamento das investigações.

Na Lava Jato, o empreiteiro também responde pela suposta participação no esquema de cartel de empreiteiras na Petrobras e por, supostamente, beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos casos do tríplex em Guarujá e do sítio em Atibaia.

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