Lei Áurea e Acarajé

Começou sábado (15) a Copa das Confederações, uma espécie de pré-copa do mundo, cujo critério de participação começa pelo país-sede, seguido do campeão da última Copa e dos atuais campeões continentais. A Copa das Confederações acontece a cada quatro anos, no ano antecedente àquele em que se realiza a disputa do título mundial.

Além de Brasília, as cidades escolhidas pela Fifa para sediar a Copa das Confederações foram Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ). Como capital do País, Brasília foi privilegiada com a abertura da competição. Os atletas canarinhos ficaram hospedados à beira do Lago Paranoá, cercados de segurança por todos os lados, aguardando somente o dia de enfrentar os japoneses. Do outro lado ficou incontável elenco de torcedores, sequiosos de vitória verde-amarela.

A Bahia de São Salvador, por seu turno, ficou tomada de alegria, saboreando a vitória de suas representativas mulheres, já inseridas, enquanto vultos da nossa história, de que tão bem falaram (e como falaram bem!), Castro Alves a Jorge Amado. Eles já se foram, mas ainda o fazem os ficantes Gil, Caetano, Tom Zé e tantos outros bons baianos, como Valter Xéu. Este se diz chegado. E todos os bons poetas, deixando de lado os gêneros, as louvam (as mulheres) em prosa, versos e trovas, pelo que são e fazem. Falo das mulheres Baianas do Acarajé.

O regozijo justificado do povo soteropolitano é pela vitória que conquistaram as Baianas do Acarajé frente à Fifa, que hesitava em autorizar a entrada da tradicional iguaria para ser comercializada nos eventos por ela comandados na Arena Fonte Nova. A celebração causou impacto assemelhado à edição da Lei Áurea. Digamos, foi a lei áurea do acarajé, a aquiescência da Fifa às pretensões legítimas daquelas senhoras que promovem o casamento perfeito do feijão com o dendê e outras coisas boas e, de quebra, ainda dizem “o quê que a baiana tem”.

Mas o que me preocupa mesmo a mim, é que deverão vir a Salvador, muito mais de que já é costumeiro, por ocasião das Copas, grande quantidade de gringos de diferentes países. Alguns deles decerto esquecerão o caminho de volta, arranjando um casamento com uma brasileirinha, daí um filhinho, uma terrinha, um fininho, e adios, muchacho!

E essa rapaziada branca, que não é acostumada às delícias brasileiras, vai se entupir de feijoada, cachaça, buchada, sarapatel, chouriço, toucinho, e, pra completar, ainda deve encarar uns dois acarajés antes de subir feliz e contente para pra assistir à partida. Eis que, de repente, uma puta dor de barriga lhe embola as tripas. Cólica danada. Dor de barriga insuportável, e aquele que parecia uma longa flatulência na verdade se torna água. E o francês começa a feder qual queijo com larva.

Vai ter gringo correndo, desesperado, em busca do banheiro, esquecendo-se o assento numerado, à procura de outro assento, que estará todo melado. Pensou ele, em sua língua, “tá danado”. Não tem jeito. Agora vou ficar em pé e continuar cagado.

 

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