GDF transforma HRT em depósito de dores e aflições humanas

A cada dia que passa, fica mais evidente que o problema do Sistema Único de Saúde do Distrito Federal (SUS-DF) é a incapacidade dos atuais gestores públicos. O cenário atual encontrado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), no início de uma série de visitas, é uma das provas disso. A quantidade de pacientes espalhados pelos corredores da unidade é assustadora. Os médicos mal conseguem se deslocar entre uma e outra maca.

As falhas, que parecem incorrigíveis para o atual governo, não param por aí. Além de exames, medicamentos, aparelhos e ambulâncias, faltam médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e até vigilantes (que estão em greve), para atender toda a demanda.

A situação foi relatada ao Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), durante visita realizada na última quarta-feira (09). O primeiro pedido de socorro dos servidores da unidade, no entanto, foi feito em uma denúncia escrita: “Nossos pacientes são atendidos de forma precária ou, até mesmo, deixam de ser atendidos por absoluta falta de profissionais e condições de acolhimento”, narram os profissionais no documento e asseguram que, por ausência de estrutura e má gestão, é provável que o número de mortes evitáveis aumente.

Uma das áreas críticas no HRT é a cardiologia. O hospital deveria ser referência no atendimento cardiológico para as macrorregionais de Saúde Oeste (Ceilândia e Brazlândia) e Sudoeste do DF (Taguatinga, Samambaia e Recanto das Emas). No entanto, por absoluta falta de gestão por parte da Secretaria de Saúde (SES-DF), pacientes internados chegam a esperar mais de 70 dias para serem submetidos à cirurgia. Para um simples eletrocardiograma, é preciso encaminhar os usuários do hospital para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF).

O caos na cardiologia do HRT chegou a tal ponto que, na tentativa de encontrar uma solução, a ideia é abdicar do título de “referência em cardiologia”.  “Estamos exauridos, sobrecarregados, desmotivados e, sobretudo, esgotados”, desabafaram os servidores. “Esse mesmo abatimento é visível nos rostos dos pacientes amontoados em macas, cadeiras e até no chão do pronto-socorro do hospital. É desumano e vamos denunciar isso aos órgãos de fiscalização”, acusa o presidente do SindMédico-DF, Gutemberg Fialho.

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