GDF descarta reajuste à Polícia Civil e diz ter rombo de R$ 1 bilhão para 2016

 

Chefe da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio, e secretário de Fazenda, João Antônio Fleury, em entrevista no Palácio do Buriti (Foto: Beatriz Pataro/G1)
Chefe da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio, e secretário de Fazenda, João Antônio Fleury, em entrevista no Palácio do Buriti (Foto: Beatriz Pataro/G1)

O governo do Distrito Federal descartou, nesta segunda-feira (15), a possibilidade de conceder o reajuste salarial pedido pela Polícia Civil. A categoria pede equiparação com o reajuste da Polícia Federal, determinado pela União. Segundo o chefe da Casa Civil do DF, Sérgio Sampaio, o governo tem um rombo de R$ 1 bilhão até dezembro.

“Nós dissemos à Polícia [Civil] que, para prosseguirmos nas negociações e fazermos uma proposta concreta, nós precisaríamos ver primeiro quais receitas conseguiríamos adicionar ao orçamento do DF. A partir daí, nós poderemos fazer proposta”, declarou. Ele não sugeriu de onde poderiam vir essas “receitas adicionadas”.

Sampaio afirma que o governo do DF gasta 81% de toda a receita bruta para honrar a folha de pagamento e, por isso, não seria viável aumentar as despesas neste momento. Em 2015, o mesmo argumento foi utilizado para adiar os reajustes prometidos pela gestão Agnelo aos servidores públicos.

“Seria irresponsabilidade, porque a cidade iria parar. Aí, os serviços mais básicos não vão poder ser atendidos. Para conceder novos reajustes você vai ter que escolher onde vai cortar. Estamos nessa situação. Não há folga”, disse o chefe da Casa Civil.

As declarações foram dadas após uma reunião no Palácio do Buriti com representantes dos sindicatos de policiais civis (Sinpol) e delegados (Sindepo). Após o encontro, o presidente do Sindepol, Rafael Sampaio, classificou a discussão como “dura” e disse que a categoria não tinha enfrentado situação parecida em outros anos.

“O governo disse que não tem nenhum centavo para dar reajuste pra gente no ano que vem. O mínimo que a gente esperava seria a manutenção da paridade, que é 37% [parcelados] até 2019. A instituição vai viver o caos por conta da falta de sensibilidade do GDF”, disse. Segundo ele, cem delegados devem entregar o cargo nesta terça (16).

 

Policiais civis ocupam três faixas do Eixo Monumental, em Brasília, após assembleia; categoria faz operação-padrão (Foto: Pedro Borges/G1)
Policiais civis ocupam três faixas do Eixo Monumental, em Brasília, após assembleia; categoria faz operação-padrão (Foto: Pedro Borges/G1)

Mais verbas
Na sexta, Sampaio e o governador Rodrigo Rollemberg se reuniram com o presidente interino Michel Temer no Palácio do Planalto, em busca de saídas para aumentar a arrecadação. Segundo a Casa Civil, nenhuma conclusão foi alcançada até o momento.

“O presidente Temer não nos prometeu nada, mas disse que ia levar o assunto para ser tratado com sua equipe econômica. Nós aqui também estamos vendo junto à Câmara Legislativa, em outras ações de governo, o que poderia resultar em aumento de arrecadação”, disse Sampaio.

Além do reajuste pedido pelos policiais e outras categorias, o gestor afirma que falta R$ 1 bilhão até para pagar as dívidas que já existem. “A situação que vivemos hoje é drástica. No momento ainda falta R$ 1 bilhão, sem nenhum reajuste, para fechar o ano”, declarou.

Os policiais civis do DF estão em operação-padrão desde o dia 4 de julho, cobrando reajuste salarial e melhores condições de trabalho. A cartilha distribuída pelo sindicato prevê que os agentes ajam estritamente pelas regras da corporação, sem horas extras ou operações com guarnições menores que o recomendado.

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