Escândalo de corrupção derruba ministros na Turquia

O ministro da economia da Turquia, Zafer Caglayan, e o ministro do Interior, Muammer Guler, renunciaram a seus cargos na noite de terça-feira (24), depois que seus filhos foram indiciados por corrupção.

Os filhos dos políticos estão entre as 24 pessoas indiciadas em uma investigação sobre fraudes no banco estatal Halkbank. Os filhos dos ministros – Kaan Caglayan e Baris Guler – negam as acusações de pagamento de propina em troca de favores, como preferência para executar projetos de desenvolvimento e receber licenças de construção.

A operação já levou à suspensão de diversos policiais, incluindo o diretor da polícia de Istambul.

Milhões de dólares em caixas de sapato

O governo turco reagiu com críticas duras à ação de combate à corrupção conduzida pela polícia.

Em nota oficial, Caglayan atacou o inquérito da polícia, dizendo que se trata de uma “operação repugnante”. Ele afirmou que está deixando seu cargo para preservar a imagem do governo. Já Guler disse que não há base legal para as acusações de cobrança de propina contra seu filho, já que ele não é uma autoridade do governo.

O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que pretende “quebrar as mãos” de rivais políticos que tentarem usar as investigações para minar seu governo.

Poucas horas após renunciar, na noite de terça-feira, Caglayan apareceu em um discurso público de Erdogan diante de uma multidão no aeroporto da capital Ancara, onde acabara de chegar de uma viagem oficial ao Paquistão.

A oposição vinha cobrando a renúncia dos ministros. No domingo, manifestantes foram às ruas de Istambul em um ato contra o escândalo.

O debate sobre as investigações de corrupção na Turquia tem um forte tom político. Desde que chegou ao poder, em 2002, o premiê Erdogan enfrenta disputas internas dentro de seu partido, o AK, que tem raízes islâmicas.

Fora da Turquia, o acadêmico islâmico Fethullah Gulen, que vive nos Estados Unidos, é visto como um rival de Erdogan. Seu movimento político, o Hizmet, possui apoiadores dentro da polícia e do Judiciário turcos.

Na noite de terça-feira, no discurso no aeroporto de Ancara, Erdogan voltou a falar em uma conspiração contra seu governo.

“Eu acredito naqueles que dizem que o povo vai vencer, e aqueles que querem nos humilhar vão perder novamente”, disse o premiê.

Outras pastas do governo também foram envolvidas no escândalo. O filho do ministro do Meio Ambiente também foi preso.

A imprensa turca noticiou que o presidente do banco Halkbank, Suleyman Aslan, foi detido depois que a polícia encontrou US$ 4,5 milhões em dinheiro dentro de caixas de sapatos na sua casa.

O Halkbank, um dos maiores bancos da Turquia, já foi criticado no passado pelos Estados Unidos por permitir que o gás natural iraniano – alvo de um embargo de potências internacionais – fosse negociado em troca de ouro turco. Desde junho, essas negociações foram interrompidas.

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