Entrevista com Chico Vigilante

BC – Mas não houve uma certa letargia nesse processo? A impressão é de que a cidade ficou parada por muito tempo…

Chico Vigilante – Foi preciso começar do zero. Mas agora podemos dar respostas, por exemplo, à saúde, porque foi aprovado um plano diretor. Podemos dar resposta sobre o transporte público, que era uma indignidade para com a população. Pesquisa técnica aponta que o pior transporte das Américas é o nosso. Portanto, nós aprovamos o plano diretor de transporte público, que possibilitou essa licitação gigantesca e agora permite a entrega de ônibus novos. Eles já estão circulando na Estrutural, e neste sábado (13) começam no Recanto das Emas. Posteriormente será a vez de Ceilândia. Dia 31 será entregue a nova frota. Com a diferença de ser um novo sistema de linhas exclusivas capazes de transportar até 300 passageiros, de maneira integrada. Com o cartão, o usuário poderá sair de Planaltina e ir até Ceilândia com a mesma passagem. E o governo já garantiu que o valor da tarifa estará congelado até o dia 31 de dezembro de 2014.

BC – Esta decisão não é um reflexo das manifestações contra o reajuste de tarifas e pelo passe livre?

         Chico Vigilante – Enquanto no Brasil inteiro os estudantes se mobilizam pelo passe estudantil, aqui já é lei. Aqui funciona.

BC – Mas a licitação dos ônibus tem sido alvo de ataques e de denúncias de irregularidades…

Chico Vigilante – Uma licitação desse tamanho desaloja os barões do transporte público do Distrito Federal e é claro que eles não ficariam calados. Mas as denúncias feitas foram todas infundadas. Dentre 180 ações, algumas chegaram ao Superior Tribunal de Justiça, e caíram todas por terra.

BC – Em meio a essas denúncias, surgiu um nome: Galeno Furtado Monte, funcionário de carreira da Codeplan, ex-chefe de gabinete do Durval Barbosa, delator da Caixa de Pandora…

         Chico Vigilante –O Galeno é um técnico que seguiu a orientação do governador e do secretário de Transportes, o chefe e o coordenador da licitação, respectivamente. Foi uma licitação que não teve um vazamento sequer em seis mil páginas de processo.

BC – Como está a relação da bancada da Câmara Legislativa com o Buriti?

         Chico Vigilante – Todo mundo falava que o governo do Roriz era articulador, mas ele não conseguiu ter duas mesas da Casa favoráveis. Conseguiu a primeira e perdeu a segunda. O Arruda também perdeu na segunda para o Leonardo Prudente. Nós, junto com o governador Agnelo e o vice, Tadeu Felipeli, não perdemos uma votação. Todos os projetos que foram encaminhados nós aprovamos.

BC – Essa coesão será mantida até a eleição de 2014?

         Chico Vigilante – Há quem cante vitória dizendo que o Filipelli seria candidato a governador, que estaria articulando. Tudo isso é mentira. Eu lhe afirmo com convicção que a chapa de 2014, liderada pelo PT e pelo PMDB, será com Agnelo Queiroz governador e Filipelli vice. O PT tomou juízo! Portanto, a aliança PT-PMDB está mantida até 2014 e é claro que dentro desse processo já se está discutindo 2018.

         BC – O secretário de Habitação, Geraldo Magela, disse numa entrevista recente ao Brasília Capital que pensa no governo, para 2018. Ou seja, ele é um pré-candidato, mas está interessado em disputar o Senado no próximo ano. Quem será o candidato ao Senado? Magela? Chico Leite?

         Chico Vigilante – Minha cabeça está voltada para a reeleição do governador e do vice. Queremos anunciar para a sociedade a chapa Agnelo-Felipelli. Só depois vamos discutir o senador.

BC – Esse senador será do PT?

         Chico Vigilante – Não necessariamente. Eu sou da tese de que o PT não tem que querer tudo. Numa coalizão, numa composição, você não pode querer tudo.

BC – O Magela diz que 10 entre 10 petistas querem o PT para o Senado…

         Chico Vigilante – Mil entre mil petistas querem continuar administrando o DF. O Senado pode ser negociado. Não tem problema nenhum nisso.

BC – Saiu Patrício e entrou Wasny. Muitas coisas estão paradas na Câmara Legislativa e o Patrício tem dito que fez a melhor gestão, que enxugou a máquina da Casa. Porém, parece que existem dúvidas, por exemplo, nas contas da Publicidade. Desde dezembro do ano passado não há investimentos na área…

         Chico Vigilante – Aquilo ali não se centra na figura de uma pessoa. É um colegiado. Eu defendo que a gestão da Câmara Legislativa deveria ter a direção política, com um diretor geral, para agilizar o processo, para ser responsável pela parte administrativa. A Mesa Diretora cuidaria da parte política. Enquanto não fizermos isso, a gente vai conviver com essa dificuldade.

BC – Existe alguma suspeita de algo irregular que tenha ocorrido no biênio anterior?

         Chico Vigilante – Não tenho notícia nenhuma, não. O Ministério Público é muito atuante. Acho que, com base nas coisas que aconteceram no DF nos últimos anos, alguém seria muito burro se cometesse qualquer tipo de bobagem, porque, definitivamente, em Brasília não se encobre nada.

Fonte:

Deixe um comentário