Entrevista com Chico Vigilante

BC – E o que viria em seguida?

Chico Vigilante – A reforma do Judiciário continua sendo fundamental. É um absurdo um juiz ou um promotor de Justiça cometer crime, por mais absurdo que seja, e a penalidade máxima ser a aposentadoria integral. Para tanto, é necessário que a sociedade se mobilize cada vez mais para que a gente efetive esse processo. Quando a presidenta Dilma tomou a iniciativa de lançar a ideia do plebiscito, para fazer a reforma política, na verdade é um ensaio. E se a população toma gosto pelo plebiscito e decide que tudo seja definido por meio de plebiscito? Aí elatira o poder das velhas oligarquias brasileiras, que continuam mandando nas duas casas do Congresso Nacional, tanto no Senado como na Câmara.

BC – Então o senhor atribui às oligarquias o aborto da proposta do plebiscito?

Chico Vigilante – Sem dúvida. As oligarquias estão com medo da vontade do povo, com medo do povo tomar gosto de ele próprio dirigir o país.

BC – Por que não o referendo?

Chico Vigilante – O referendo é um engodo, porque primeiro o Congresso aprova e depois vai questionar se a população está de acordo ou não. Isso é errado.

BC – A população está preparada para responder perguntas técnicas?

Chico Vigilante – Claro que sim. É burro quem acha que a população brasileira não está preparada. Não faz muito tempo, travamos um debate neste país em relação ao sistema de governo, se queríamos parlamentarismo, presidencialismo ou monarquia

BC – Não há incoerência nesta postura do PT? Afinal, quando ganha uma eleição, o partido propõe o Orçamento Participativo, que, na prática, busca o referendo da população para os projetos do governo?  

Chico Vigilante – Não. O Orçamento Participativo é a maneira de a população decidir a ordem que quer ver os seus recursos aplicados.

BC – Muitos sindicatos dirigidos pelo PT adotam a gestão colegiada. Isto não é um modelo equivalente ao parlamentarismo?

Chico Vigilante – Eu sou a favor do colegiado dos sindicatos, mas sou presidencialista por essência. O povo brasileiro quer alguém que mande, que decida, uma autoridade. Se a presidenta, o governador, ou quem quer que seja, já tem dificuldade para governar com o sistema presidencialista, imagine com o parlamentarismo. Teríamos uma crise mensal! O país não suporta esse tipo de sistema.

BC – Em tese, a divisão de poder no parlamentarismo pode ajudar a diminuir a corrupção…

         Chico Vigilante – Cada vez mais a população cobra o combate a corrupção. E tem que ser assim. E nós estamos avançando! Por isso quando alguma entidade diz que existe muita corrupção, eu digo que é mentira! O que se faz hoje não é maior do que se fazia antes! O que existe hoje é o combate tenaz, por meio da imprensa e dos órgãos de controle, como a Controladoria Geral da União. Você é jornalista e sabe bem que dez anos atrás era difícil garimpar determinadas informações. Era necessário ser jornalista investigativo mesmo para chegar a uma denúncia. Hoje não! Todas as coisas que a imprensa publica estão na internet, na página da CGU. A maioria das coisas publicadas como escândalo foi o governo que apurou.

BC – Na sua opinião, tem sido bom para Brasília ser governada pelo PT nas esferas local e federal?

Chico Vigilante – Tem sido altamente positivo. Costumo dizer que só na época da construção foi aportado tanto recurso em Brasília. E isto se deve à relação respeitosa e a capacidade gerencial que a gente tem de produzir projetos com o governo federal. Depois que o Agnelo tomou posse, em 1º de janeiro de 2011. Estávamos com a cidade completamente destruída moral, política e organicamente. Todas as instituições falidas. A Esplanada era uma verdadeira capoeira, a cidade inteira tomada por buracos, as empresas sucateadas. Em dez meses de desgoverno do Wilson Lima e do Rogério Rosso, a cidade estava desgraçada! Em dez meses eles conseguiram desarrumar todas as contas do Distrito Federal. O Agnelo, ao assumir, foi preparar efetivamente, ao invés de lançar planos mirabolantes.

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