Elke Maravilha morre aos 71 anos, no Rio de Janeiro

 

Morreu nesta madrugada (16), no Rio de Janeiro, a atriz, apresentadora, jurada e modelo Elke Georgievna Grunnupp, a Elke Maravilha. Ela estava internada há quase um mês na Casa de Saúde Pinheiro Machado, após uma cirurgia para tratar uma úlcera e teve falência múltipla dos órgãos.

Nascida na Rússia em fevereiro de 1945, Elke se mudou para o Brasil com a família aos seis anos de idade e passou a infância em um sítio em Itabira, no interior de Minas Gerais. Aos 20 anos, ela saiu de casa para morar sozinha no Rio de Janeiro.

Elke trabalhou como bancária, secretária trilíngue e bibliotecária para pagar a faculdade. Ela cursou Letras e se formou tradutora e intérprete de línguas estrangeiras, e foi professora de inglês e francês. Filha de um russo e uma alemã, desde a adolescência ela já falava nove idiomas: russo, português, alemão, italiano, espanhol, francês, inglês, grego e latim.

Apesar de não pensar em seguir carreira artística, aos 24 anos Elke começou a trabalhar como modelo e manequim, após aceitar convites recebidos devido a sua beleza considerada exótica para os padrões brasileiros. Muito alta e naturalmente loira, ela trabalhou com estilistas famosos da época. Inicialmente discreta, aos poucos ela abriu espaço para sua extravagância. “Aos poucos fui me impondo, mesmo como manequim. No início fazia um pouco o jogo, porque também sei ser chique: fazer um cabelo convencional, uma maquiagem leve, etc. Mas aquilo para mim era fantasiar-me. Eu não sou aquilo! E o legal é que os próprios costureiros começaram a entrar no meu barato, entender o meu estilo e proposta estética e fazer roupas especiais para eu desfilar”, diz declaração em seu site oficial.

 

Elke Maravilha
Creative Commons – CC BY 3.0Elke Maravilha

Wikimedia Commons

 

Fez cursos de cinema e teatro e trabalhou na televisão: foi batizada como Elke Maravilha pelo jornalista Daniel Más, e se tornou conhecida ao ser chamada dessa forma por Chacrinha, com quem ela trabalhou durante 14 anos.

“Um dia tocou o telefone com alguém me convidando para ir no programa do Chacrinha. Eu não conhecia porque não via televisão, mas aceitei. Então perguntei a um amigo sobre como era o tal programa e ele me disse que era um programa de auditório que tinha um apresentador que tocava uma buzina o tempo todo. Achei legal, comprei uma buzina e entrei lá buzinando; o Painho se encantou comigo e eu com ele. Foi assim que começou!”, lembra.

Trabalhando como atriz, ela começou em “Barão Otelo no Barato dos Bilhões”, com Grande Otelo, e atuou em filmes como “Pixote”, de Hector Babenco; “Quando o Carnaval Chegar” e “Xica da Silva”, de Cacá Diegues. Por sua interpretação em “Xica da Silva”, Elke foi premiada com a Coruja de Ouro como melhor atriz coadjuvante. Sua estreia no cinema foi como dona de um bordel no filme “Memórias de um Gigolô”, com direção de Walter Avancini, e a atuação lhe rendeu o convite para ser madrinha da Associação das Prostitutas do Rio de Janeiro.

Ela é muito reconhecida, também, por ter trabalhado por anos como jurada dos programas de calouros de Silvio Santos, no SBT, emissora onde comandou o talkshow “Elke”.

Em meio aos desfiles no início da carreira, Elke conheceu a estilista Zuzu Angel, de quem se tornou amiga. Durante a ditadura militar, em 1971, ela foi presa por desacato no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por rasgar cartazes com a fotografia de Stuart Angel Jones, filho da amiga Zuzu, alegando que ele já havia sido morto pelo regime. Com o episódio, ela perdeu a cidadania brasileira. Atualmente, Elke possuía apenas a cidadania alemã.

Elke se casou oito vezes mas não quis ter filhos. Além da imagem marcante, o legado de sua carreira fica em mais de 10 peças de teatro, 30 filmes e cerca de 15 trabalhos e participações especiais em novelas e outros programas de televisão.

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