Dia dos Namorados

(e se a sua namorada tiver outra?)

No mês de junho, muitos dos seus dias são dedicados a personalidades santificadas pela igreja católica, rebatizadas com outros nomes pelos ritos da umbanda ou do candomblé, os quais desconheço. Por isso e pelo devido respeito, e para que eles, se puderem, me protejam, e não do contrário, por isso mesmo, salvo engano, o que no juridiquês corresponde a  data venia.

A outros dias deste mês couberam homenagear entes e instituições consagradas, como o meio ambiente e os namorados – Dia do Meio Ambiente e Dia dos Namorados. Equivaleria dizer que, quando foram os mesmos instituídos, namorados, tal como se apresentavam, somente eram considerados casais os encontros amorosos de um homem com uma mulher e ao contrário.

Porquanto, as insinuações amoroso-sexuais entre pessoas do mesmo sexo já existiam, clandestinamente, camufladas, sorrateiras, na mera condição de pares secretos, sobre o que tive oportunidade de breve discussão em artigo de minha lavra,  também sobre tão significativo Dia dos Namorados, com alusão à ficação dos pares, hoje equivocadamente equiparada à condição de casais, que se prolifera em escala progressiva, como fosse bênção,  praga ou descuido de Santo Antônio (ou dos nossos legisladores) a outorga do título de equivalência. Ou será que pra eles tanto faz?

Parece que sim.

Mas Santo Antônio é um santo e a ele lhe importa tão-somente o ser humano em si e não o que ele faça ou deixe de fazer. Nós, reles mortais, é que cultivamos o proscrito hábito de perpetuar a censura, em que tropeçamos.

Mas, felizmente, experimentamos novos tempos, em que as escalas de valores cobram atualização constante, na esteira da reciclagem de antigos conceitos, já ultrapassados, sem prejuízo de contemplar as convicções ditas imutáveis, associando-se à arte cheguevariana de endurecer-se, sem perder a ternura, jamais.

Incorreria em erro, talvez, mas sempre apostando em que, pro sexo frágil, carne dura. Ser vegetariano, nada impede. Até pelo contrário. Na dúvida, vez por outra como carne. Se for o caso, todo dia, dispensadas as vermelhas. E o que já foi par secreto, hoje é discreto e indiscreto, até demais. Por vezes cai no descrédito.

Se, por acaso, neste Dia dos Namorados você, cabra macho, descobrir que sua namorada lho trocou, aliás, arranjou ou assumiu uma namorada (ou que por ela foi assumida ou arranjada), o que faria? Não me diga nada. Mas se quiser um conselho, fique pianinho. Já que a coisa é assim, vá pro carnaval com ambas, com todas. Até porque, já dizia o mestre Raul Seixas, quem gosta de maçã, come todas, porque todas são iguais.

Um outro tipo diria: são todas iguais. Só.

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